Às 18h desta quinta-feira (18), os primeiros ônibus do transporte coletivo deixaram a garagem para retomar o serviço em Campo Grande. A primeira linha a rodar foi a 085 Terminal Morenão/Julio de Castilho, que saiu da garagem do Consórcio Guaicurus no Bairro Ana Maria do Couto. Com o início das negociações para encerrar a greve, no começo da tarde desta quinta-feira, os funcionários de manutenção das empresas de transporte passaram a preparar os veículos para voltar a operar, calibrando os pneus e ligando os motores que estavam parados desde segunda-feira. Os trabalhadores do transporte coletivo suspenderam a paralisação depois da liberação de 50% dos salários atrasados e do 13º. O pagamento foi possível graças a antecipação feita pelo Governo de Mato Grosso do Sul, que depositou R$ 3,3 milhões referentes a repasse do mês de janeiro. O Consórcio precisava de R$ 1,5 milhão para quitar 50% da folha salarial em atraso, além do valor do 13º para mais de 1.100 trabalhadores, sendo 750 motoristas. No início da manhã, uma reunião na Câmara de Vereadores selou o acordo com a diretoria do Sindicato. Antes, o governador Eduardo Riedel (PP) informou que, após conversas com a prefeita Adriane Lopes (PP) e com o presidente da Câmara, Epaminondas Papy, na quarta-feira, foi acertada a ajuda do Estado. "Embora o orçamento já esteja fechado, verificamos a possibilidade de antecipar esse valor. Caso a formalização da solicitação seja enviada hoje, podemos operacionalizar a antecipação da próxima parcela", reforçou Riedel. Também pela manhã, assim que soube da notícia do fim da greve, a prefeita agradeceu a colaboração do governo, mas reafirmou que o município está em dia com as suas obrigações com o Consórcio. "Diante desse cenário, nós entramos em contato com o governador do estado para que ele pudesse antecipar o repasse dos alunos da rede pública estadual que seria feito em janeiro, para que a gente pudesse por um ponto final nessa greve", explicou. Durante todo o processo de negociação, Lopes tem acusado as empresas de má gestão dos recursos. Em audiência de conciliação na terça-feira, o presidente do Consórcio, Themis Oliveira, falou em déficit nas contas, mas o que chamou a atenção foi ele admitir que não priorizou os pagamentos dos salários. Preferiu pagar fornecedores. "Diante desse cenário, nós entramos em contato com o governador do estado para que ele pudesse antecipar o repasse dos alunos da rede pública estadual que seria feito em janeiro, para que a gente pudesse por um ponto final nessa greve", completou. A próxima etapa dessa disputa é definir como fica a ordem de intervenção determinada pela Justiça. Decisão do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, teve como base a necessidade de regularização da situação do sistema de transporte público urbano de Campo Grande. Como a greve acabou, a solicitação deve caducar.