Wilder nega aliança com Caiado e Daniel Vilela, mas bastidores indicam acordo entre PL e base governista
O senador Wilder Morais (PL) afastou publicamente, neste sábado, 24, qualquer possibilidade de o Partido Liberal integrar a base do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) para apoiar a pré-candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB) ao Palácio das Esmeraldas. Presidente estadual do PL, Wilder reafirmou que o partido terá projeto próprio para a sucessão estadual de 2026.
A declaração foi feita durante discurso no evento Rota 22, realizado em Iporá, no Oeste goiano, e registrada em vídeo que circulou nas redes sociais por meio de aliados do senador. Na fala, Wilder adotou um tom duro e reiterou que não pretende recuar da disputa nem negociar alianças que contrariem a linha ideológica do partido.
“Eu reafirmo o dia inteiro que não desisto e não vou fazer acordo. Podem ter certeza: não vamos fazer acordo com o 15. Não vamos andar com a esquerda”, afirmou. O senador também resgatou o histórico de alianças nacionais do MDB com o PT para justificar sua posição. “O pessoal pergunta se vamos nos juntar ao 15. O MDB sempre andou com a esquerda. Nós somos da direita e não fazemos acordo com a esquerda”, completou.
As declarações públicas, no entanto, contrastam com o que vem sendo tratado nos bastidores da política goiana e nacional. Fontes ligadas ao PL, União Brasil e MDB afirmam que as conversas para uma aliança ampla em torno de Daniel Vilela estão avançadas e em fase final de consolidação. A avaliação é de que o discurso de Wilder busca preservar capital político junto à base bolsonarista, enquanto as negociações seguem em curso.
Segundo essas fontes, a costura envolveria o PL apoiar Daniel Vilela para o governo, enquanto o partido indicaria o deputado federal Gustavo Gayer como candidato ao Senado, compondo chapa com Gracinha Caiado, pré-candidata do União Brasil. Houve, inclusive, discussões sobre a possibilidade de a vaga de vice-governador ficar com o PL, mas essa definição ainda não estaria fechada.
Relatos vindos de Brasília apontam que o acordo conta com o aval de lideranças nacionais do PL, como o senador Rogério Marinho e o deputado Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência da República. A aliança em Goiás é vista como estratégica para o projeto nacional do partido, conectando a disputa estadual ao tabuleiro presidencial.
No cenário nacional, a direita trabalha atualmente com quatro nomes colocados como pré-candidatos ao Planalto: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema (Novo) e Ratinho Júnior (PSD). A avaliação de dirigentes partidários é de que esse quadro deve afunilar, possivelmente, para dois nomes. O temor é que a fragmentação favoreça o presidente Lula, que poderia vencer ainda no primeiro turno.
Nesse contexto, também circula nos bastidores a hipótese de Ronaldo Caiado disputar uma vaga ao Senado para atuar como articulador da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em Goiás e no Centro-Oeste. O governador, no entanto, tem reiterado a interlocutores que é pré-candidato à Presidência da República e não cogita, publicamente, mudança de partido ou recuo estratégico.
Com a aliança entre Daniel Vilela, União Brasil e PL cada vez mais encaminhada, o cenário se estreita para o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Avaliações internas apontam que, isolado na centro-direita, o tucano tende a se aproximar do PT, possivelmente por meio de seus aliados mais próximos, como a vereadora Aava Santiago (PSB) e o ex-governador José Eliton.
Havia, entre aliados de Marconi, a expectativa de que o PL não se alinhasse a Daniel Vilela, o que abriria espaço para uma composição alternativa ou, ao menos, para a construção de um segundo turno competitivo. Com a aliança praticamente sacramentada, essa possibilidade perde força. No PT, há quem avalie que a indefinição sobre a candidatura própria ao governo passa, justamente, pela espera de uma decisão de Marconi Perillo.
A leitura predominante nos bastidores é de que, caso o acordo entre PL e Daniel Vilela se confirme, a eleição em Goiás pode se encaminhar para um confronto direto entre a centro-direita, liderada pelo vice-governador, e a centro-esquerda, possivelmente capitaneada por Marconi Perillo. Há, inclusive, quem avalie que a força da aliança governista pode levar a disputa a ser definida já no primeiro turno.
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