Suspeita de contaminação por agrotóxico causa morte de cinco toneladas de peixes em fazenda de Goiás
Ao menos cinco toneladas de peixe foram perdidas após fazendeiros suspeitarem do uso de agrotóxico no lago em que estavam, em uma fazenda localizada em Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal.
Um vídeo divulgado mostra um avião de pulverização sobrevoando uma propriedade e um grande número de peixes mortos. As suspeitas são de que o vizinho tenha despejado o produto tóxico no local. O caso ocorreu no dia 16 de janeiro.
De acordo com a denúncia registrada, a pulverização acontecia em uma plantação de milho, quando o produto teria atingido a represa e quatro tanques de criação de peixes. Os fazendeiros relataram que foram funcionários quem encontraram os peixes mortos no local. Além disso, informaram que vários funcionários, incluindo gestantes, passaram mal por causa do cheiro forte do produto tóxico.
Em entrevista ao Metrópoles, um dos fazendeiros, que não teve a identidade revelada, não afirmou se o ato teria ocorrido de forma proposital ou acidental. No entanto, na denúncia, houve manifestação de interesse na representação criminal contra os proprietários da fazenda vizinha.
A criação de peixes acontecia há mais de 20 anos na fazenda, onde havia diversas espécies, como lambari, traíra, piau e matrinxã. Segundo o proprietário, independentemente de ter sido proposital ou não, trata-se de crime ambiental.
O caso está sob investigação da Polícia Civil de Goiás (PCGO), por meio da Delegacia de Polícia de Padre Bernardo. A delegada responsável pelo caso não concedeu entrevista. No entanto, o Jornal Opção conversou com o delegado da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente (Dema), Luziano de Carvalho, que comentou sobre o caso. Segundo ele, é necessário a realização de exames de diversos tipos para a comprovação do uso do composto químico.
“A gente verifica que, caso fique realmente comprovado, por meio de laudo pericial, que a morte desses peixes ocorreu em razão do uso de agrotóxico, o fato precisa ser devidamente investigado. É necessário realizar o levantamento pericial, com coleta de amostras da água e dos peixes, para a realização de exames que comprovem o nexo causal, ou seja, que a mortandade foi decorrente de envenenamento”, disse.
De acordo com o delegado, o uso de indevido do agrotóxico que resulta a morte de peixe é considerado crime ambiental grave no Brasil. Ele ressaltou que, além deste, os suspeitos também poderão responder por crime de poluíção, também considerado grave.
“Causar poluição de qualquer natureza, que resulte ou possa resultar em danos à saúde humana, ou que provoque a mortandade de animais, não apenas de peixes, configura crime ambiental. De forma geral, esse tipo de crime prevê pena de até quatro anos de reclusão, sendo considerado um dos mais graves, especialmente quando há destruição significativa da flora. Além disso, a multa pode chegar a R$ 50 milhões, o valor mais elevado previsto na legislação ambiental”, explicou.
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