Gerson diz que Regularize Já busca prevenir multas e evitar conflitos fiscais
Em meio às mudanças provocadas pela reforma tributária, o Governo de Mato Grosso do Sul e representantes do setor produtivo reforçaram que o programa Regularize Já surge com uma proposta diferente da tradicional relação entre Fisco e contribuinte: prevenir problemas antes que eles se transformem em autuações. O tema foi debatido em reunião que reuniu o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Gerson Claro, integrantes da área fazendária e entidades ligadas ao comércio e à contabilidade. O encontro teve como principal objetivo esclarecer dúvidas e reduzir a resistência inicial de empresários que temiam aumento de fiscalização ou medidas punitivas. Segundo os participantes, a iniciativa não prevê “devassa fiscal” nem envio de notificações em massa. A lógica, conforme defendido durante as discussões, é permitir que o próprio empresário identifique inconsistências e faça a regularização espontaneamente, evitando multas e disputas administrativas. Acesso antecipado às divergências O programa funciona como um sistema de autorregularização. Empresas passam a ter acesso antecipado a informações que apontam possíveis diferenças entre a movimentação financeira e os dados declarados ao Fisco. Esses dados ficam disponíveis de forma contínua na plataforma e-Fazenda, permitindo acompanhamento permanente da situação fiscal. A medida atinge principalmente negócios enquadrados no Simples Nacional, que representam a grande maioria das empresas ativas no Estado. A proposta, segundo o governo e entidades empresariais, é ampliar a transparência e dar previsibilidade ao contribuinte em um cenário tributário considerado mais complexo após a reforma em andamento no país. Diálogo para reduzir tensão Representantes da Secretaria de Fazenda, Assembleia Legislativa e instituições como Fecomércio-MS, FAEMS, FCDL-MS, CRC-MS, Sebrae-MS e Sescon-MS participaram do encontro e manifestaram apoio ao modelo, apontando o programa como ferramenta de orientação e prevenção de conflitos. Para Gerson Claro, a aproximação entre poder público e setor produtivo é essencial para evitar insegurança jurídica. A avaliação é de que, quando o contribuinte entende previamente sua situação fiscal, diminui-se o risco de autuações e judicializações. Na prática, o Regularize Já tenta mudar o foco da fiscalização tradicional — baseada na punição posterior — para um modelo preventivo, em que a regularização ocorre antes da penalidade. Transição tributária no radar A discussão ganha peso justamente no momento em que empresas atravessam a adaptação às novas regras tributárias nacionais. Para o setor produtivo, a principal preocupação é evitar erros operacionais que possam gerar passivos fiscais futuros. A aposta do governo é que a transparência de dados e o acompanhamento contínuo reduzam conflitos e fortaleçam o ambiente de negócios, criando uma relação menos reativa e mais colaborativa entre Estado e contribuinte.