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A ruptura com o legado: Ana Paula Rezende e a traição à história de Iris Rezende

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Rafael Gouveia

A recente filiação de Ana Paula Rezende ao Partido Liberal (PL), anunciada em 20 de fevereiro de 2026, para ser pré-candidata a vice-governadora na chapa de Wilder Morais, representa muito mais do que uma simples mudança partidária. Trata-se de uma ruptura simbólica e política com o legado democrático construído ao longo de décadas por seu pai, Iris Rezende Machado, um dos maiores nomes da história política de Goiás.

Iris Rezende não foi apenas mais um político filiado ao MDB. Ele foi um símbolo da resistência democrática durante os anos mais sombrios da ditadura militar brasileira. Em 1969, teve seu mandato de prefeito de Goiânia cassado pelo AI-5, perdendo seus direitos políticos e sendo forçado a retornar à advocacia. Somente em 1979, com a Lei da Anistia, pôde recuperar seus direitos e retomar sua trajetória pública.

Durante mais de 60 anos de vida política, Iris Rezende construiu sua história dentro do MDB (antigo PMDB), sendo governador de Goiás em dois mandatos, prefeito de Goiânia em quatro ocasiões, senador e ministro de Estado. Sua fidelidade ao partido não era mera conveniência: era expressão de seus valores democráticos, de sua luta contra o autoritarismo e de seu compromisso com a história que ajudou a escrever.

A própria aliança entre o MDB de Daniel Vilela e o governador Ronaldo Caiado, que resultou na volta do partido ao governo estadual, teve em Iris Rezende um de seus principais articuladores e entusiastas. Como revelou o vice-governador Daniel Vilela, “a união do MDB com Caiado foi construída por Iris Rezende”. Foi ele quem pavimentou o caminho para que o MDB retornasse ao centro do poder em Goiás, consolidando décadas de trabalho e dedicação ao partido.

Iris acreditava nessa aliança estratégica como forma de fortalecer o MDB e garantir sua relevância no cenário político goiano. Era parte de sua visão de longo prazo para o partido que amou e defendeu durante toda a vida.

A traição ao legado paterno

Ao trocar o MDB pelo PL, partido que se tornou símbolo do bolsonarismo e da extrema direita brasileira, Ana Paula Rezende não apenas muda de legenda: ela vira as costas para tudo o que seu pai representou. O homem que foi cassado pela ditadura militar, que lutou pela redemocratização, que construiu sua trajetória com base em valores democráticos, tem agora sua filha aliando-se ao partido que representa justamente o oposto desses princípios.

Mais grave ainda: Ana Paula abandona o MDB justamente quando o partido colhe os frutos da aliança que seu próprio pai ajudou a construir. Daniel Vilela está posicionado como pré-candidato a governador, representando a continuidade do projeto que levou o MDB de volta ao poder estadual. Iris Rezende dedicou seus últimos anos a fortalecer essa aliança, e sua filha opta por abandoná-la em um momento crucial.

Como bem afirmou um comentarista político nas redes sociais: “Legado não se herda. Legado se honra. E quando se pisa na memória, o povo tem o direito de cobrar”. Ana Paula Rezende pode carregar o sobrenome e invocar a memória do pai, mas suas ações políticas mostram um caminho oposto ao trilhado por Iris Rezende.

Ao escolher o pragmatismo político e interesses pessoais em detrimento dos valores que seu pai defendeu, Ana Paula não apenas trai a história de Iris Rezende, ela desrespeita a memória de um homem que sacrificou sua carreira pela democracia, que teve sua vida interrompida pela ditadura e que nunca abriu mão de seus princípios, mesmo nos momentos mais difíceis.

A filiação de Ana Paula Rezende ao PL representa uma página triste na história política de Goiás. É a negação de um legado democrático, a ruptura com décadas de luta e dedicação ao MDB, e o abandono de um projeto político cuidadosamente construído por Iris Rezende. Mais do que uma mudança partidária, é um desrespeito à memória de quem dedicou mais de 60 anos à política com valores, coerência e fidelidade aos seus princípios.

Iris Rezende merecia que sua história fosse honrada, não traída. Merecia que seus valores fossem preservados, não negociados. E merecia, sobretudo, que aqueles que carregam seu sobrenome mantivessem acesa a chama da luta democrática que ele nunca permitiu que se apagasse.

Rafael Gouveia é presidente da Emater Goiás, suplente de deputado federal e ex-deputado estadual por Goiás.

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