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“Foi um desespero”: mãe relata pânico após enxurrada invadir casa

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Um dia após ter a casa invadida pela enxurrada, Mileny Aparecida Wandervald, de 23 anos, ainda tenta processar o que viveu na tarde de ontem (24), quando a chuva alagou o imóvel onde mora, na Rua Jaburu, no Conjunto Residencial Octavio Pécora, em Campo Grande. Sozinha com a filha de 11 meses no momento que a água invadia a residência, ela precisou entregar a bebê aos vizinhos para conseguir sair em segurança. Segundo Mileny, a água começou a entrar pela brecha do portão no início da tarde. Ao perceber o nível subir rapidamente na rua, ligou para o marido, o mecânico Bruno Henrique Costa, que estava no trabalho. Pouco depois, viu a água pressionar o muro da casa vizinha. “Falei: vai estourar. Só deu tempo de pegar os cachorros e entrar. O muro caiu”, contou. Em seguida, a enxurrada invadiu o imóvel. “Tirei a bebê do berço e a água já batia na cintura. Subi na janela e comecei a gritar por ajuda.” Vizinhos tentaram pular o muro para socorrê-la, mas não conseguiram. Mileny então abriu o portão e entregou a filha aos moradores da casa ao lado. “Entreguei a bebê e consegui sair depois. Foi um desespero, porque o portão fechou e a água travou.” Além da residência do casal, outro muro também caiu com a força da correnteza. A família perdeu praticamente todos os móveis e eletrodomésticos, como geladeira, guarda-roupa, televisão e sofá. Sem cama e até fraldas para a filha, o casal está temporariamente na casa dos pais de Mileny e criou uma vaquinha virtual para arrecadar recursos. Quem quiser ajudar pode clicar aqui . Eles também pretendem acionar a Defesa Civil para avaliar as condições estruturais do imóvel. Vizinha de frente, Maria Aparecida Darone, de 70 anos, afirmou que a água não chegou a invadir a casa dela porque o imóvel fica em um ponto mais alto da rua. Mesmo sem ter sido atingida diretamente, ela se solidarizou com os moradores prejudicados. “Eles perderam tudo, até o muro quebrou. Não é brincadeira o que está acontecendo. Hoje está tudo caro, as pessoas lutam para conquistar as coisas e, de repente, perdem tudo. O pior é que esses políticos não fazem nada”, lamentou. Ainda conforme Maria Aparecida, outra moradora relatou que já avisou à filha que, se alguém demonstrar interesse em alugar uma das casas da parte mais baixa da via, pretende alertar sobre o histórico de alagamentos. Segundo ela, pelo menos três imóveis enfrentam problemas recorrentes com enchentes, o que tem provocado constante troca de inquilinos na região. Moradores da região afirmam que o problema é antigo e que enchentes atingem o bairro há mais de 30 anos. Reuniões já foram realizadas com parlamentares e com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), que informou, em nota, ter feito limpeza de bocas de lobo no bairro em novembro do ano passado e que o serviço será novamente executado.  Ontem, em entrevista coletiva, a prefeita Adriane Lopes (PP) reconheceu que algumas áreas que historicamente não enfrentavam alagamentos passaram a apresentar problemas com as chuvas intensas. O plano da gestão inclui a implantação de novas bacias de contenção em pontos críticos na cidade. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .














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