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Briga entre amigos e versões conflitantes marcam duplo homicídio em Caarapó

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Depoimentos de dois acusados presos revelam motivos banais para a briga que terminou nos assassinatos do advogado Cássio de Souza, de 40 anos, e do servidor público municipal Hugo Centurião Enciso, 49, ocorridos na madrugada de domingo (1º) em Caarapó, a 274 km de Campo Grande. Cássio de Souza e Antonio Lucas Bispo da Silva, que está foragido, mas deve se apresentar ainda hoje, se conheciam desde a infância e mantinham amizade desde então. Apesar de terem desentendimentos frequentes, eles estavam sempre juntos, segundo o interrogatório do ex-cunhado de Antonio Lucas, Alex Santos da Silva, 34 anos, que foi preso na manhã de ontem na companhia do ex-sogro, Antônio Marques da Silva, 55, pai do terceiro envolvido. Nos depoimentos ao delegado Ciro Carlos Jales Carvalho, Alex e Antônio afirmaram que Lucas e Cássio começaram a brigar em frente à conveniência na área central da cidade após um bate-boca envolvendo outro morador da cidade. Lucas teria falado mal desse indivíduo, que também era amigo do advogado. Cássio não gostou e os dois discutiram. Com um taco de beisebol que carregava em seu carro, um Golf preto, Lucas tentou golpear o advogado, mas Cássio conseguiu tomar o objeto, o acertou com um golpe no braço e correu atrás do amigo de infância. Lucas se refugiou na casa de Alex, na Rua Américo Vesúvio, no Bairro Capitão Vigário. Cássio e Hugo Enciso, que também havia se envolvido na primeira briga, foram ao local para tirar satisfações. Houve nova discussão envolvendo os cinco homens. O advogado e o servidor foram alvejados a tiros e morreram no local. Novos vídeos anexados ao inquérito revelam detalhes da briga em frente à conveniência, o som dos tiros disparados contra Cássio e Hugo e dois carros fugindo do local – o Palio branco usado por Antônio e Alex e o Golf preto de Lucas (veja as imagens acima). Quando foram presos na manhã de ontem deixando Juti em direção a Caarapó, Antônio Marques da Silva e Alex Santos estavam no Palio branco, conduzido pelo primeiro. O revólver usado no crime estava embaixo do tapete do carro. Após os crimes, os dois vieram para Dourados, foram para o distrito de Macaúba, depois para o distrito de Cristalina onde mora a filha de Antônio e voltaram para Juti, onde foram presos. Um acusa o outro – Assim como o Campo Grande News  havia adiantado ontem, Antônio Marques e Alex Santos acusam um ao outro pelos tiros que mataram Cássio e Hugo. No interrogatório gravado em vídeo, Antônio disse que o ex-genro era o dono da arma e que após matar o advogado e o servidor o ameaçou, para obrigá-lo a assumir os crimes. Alex diz que foi o ex-sogro que fez os disparos e nega ser dono do revólver. Também interrogado pela polícia, o pai de Alex disse que o filho falou com ele por ligação após as mortes e contou que Antônio Marques e Antonio Lucas queriam obrigá-lo a confessar os assassinatos. O homem disse não ter conhecimento de que o filho não tinha arma. “Eu matei ele” – Outra informação relevante e que só aumenta o conflito de versões sobre o duplo homicídio foi levada à Polícia Civil pelo frentista de um posto de combustíveis que atendeu Antonio Lucas após as mortes, ainda na madrugada de domingo. Em depoimento na delegacia, o funcionário do posto disse que Lucas chegou ao local abalado, totalmente em choque, pedindo para colocar R$ 100 de combustível no Golf preto. Enquanto o carro era abastecido, Lucas teria dito, falando consigo, que tinha acabado com sua vida. “Pedi pra ele manter a calma. Ele falou de novo que tinha acabado com a vida dele e que tinha matado alguém, ‘eu matei ele’. Vi que ele tava ralado aqui no braço e fiquei: será que esse cara atropelou alguém e fugiu? Ele tava muito elétrico, não ficava parado, agachava, levantava, ia pra lá e pra cá, passava a mão na cabeça”, relatou o frentista. Segundo o delegado Ciro Jales Carvalho, o advogado Rodrigo Elder Lopes Bueno, que assumiu a defesa de pai e filho, já informou à polícia que Antonio Lucas vai se apresentar na tarde desta terça-feira (3) para dar sua versão sobre os fatos. Ele está com prisão preventiva decretada pela Justiça.














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