Farda nas urnas: segurança pública entra com força na disputa eleitoral de 2026 em Goiás
Com a aproximação das eleições de 2026, o cenário político goiano começa a se reorganizar e a trazer à tona um fenômeno recorrente no estado: a presença de profissionais da segurança pública entre os pré-candidatos aos principais cargos eletivos.
Delegados, coronéis, majores e policiais se colocam na disputa por vagas no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), reunindo tanto nomes já conhecidos do eleitorado quanto pré-candidatos que disputam uma eleição pela primeira vez, o que amplia o debate sobre os diferentes caminhos para a representação política de Goiás.
A entrada desses nomes no processo eleitoral reflete um contexto mais amplo de insatisfação social, desafios na área da segurança pública e busca por novas formas de atuação política. Para parte do eleitorado, a experiência técnica e institucional é vista como um diferencial; para outros, o debate se concentra na necessidade de políticas públicas que conciliam segurança, direitos individuais e fortalecimento das instituições democráticas.
O Jornal Opção ouviu pré-candidatos já declarados para compreender suas propostas, as bandeiras que pretendem defender e como avaliam o papel de Goiás no cenário político nacional. A proposta é oferecer ao leitor uma visão plural, informativa e contextualizada sobre um movimento que atravessa diferentes espectros ideológicos e ajuda a moldar o debate eleitoral de 2026 no estado.
Subtenete Sérgio
O subtenente Sérgio, presidente da Assego, confirmou em entrevista ao Jornal Opção a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas próximas eleições. Natural do interior de Goiás, ele destacou sua origem no Vale do Araguaia como parte fundamental da sua trajetória. “Eu nasci no interior do estado de Goiás, em uma cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, na região do Vale do Araguaia. Apesar da relevância econômica da região, nunca conseguimos eleger um deputado federal ou estadual”, afirmou. Segundo ele, essa lacuna histórica reforça o sentimento de representatividade que move sua pré-candidatura.
Com 28 anos e meio de atuação na Polícia Militar, Sérgio ingressou na corporação em 1997 e atualmente preside a entidade que representa militares estaduais. Ele ressalta que a categoria ainda enfrenta déficit de representação no Congresso Nacional. “Os militares estaduais têm uma grande carência de representação no Congresso Nacional, inclusive o estado de Goiás nunca conseguiu eleger um deputado federal dessa categoria”, destacou. Para ele, a candidatura surge como instrumento de fortalecimento dos policiais e bombeiros militares, além de ampliar a voz do interior goiano em Brasília.
Sobre as estratégias eleitorais, o subtenente aposta na forte capilaridade da categoria no estado. De acordo com ele, a presença de policiais e bombeiros em todos os 246 municípios goianos é um diferencial competitivo. “Nós temos militares em todas as cidades do nosso estado. Isso faz com que a nossa campanha tenha uma inserção muito importante”, afirmou. Sérgio também destacou a atuação junto a associações militares e civis, além do trabalho voluntário, como pilares de uma campanha que, segundo ele, terá custo inferior ao de candidaturas tradicionais.
Ao tratar de posicionamento político, o presidente da Assego se definiu como conservador e revelou diálogo com lideranças da direita em Goiás. “Eu sou conservador de costumes e estamos dialogando com o bloco da direita. Esperamos ser atendidos em nossas pautas pelo próximo governador Daniel Vilela”, disse. Ele ainda enfatizou que sua pré-candidatura é fruto de uma construção coletiva das associações militares. “Nossa disposição à candidatura parte de uma composição de todas as associações militares que optaram por lançar um candidato a estadual e um deputado federal”, concluiu.
Delegado Humberto Teófilo
Atualmente, Humberto Teófilo, de 41 anos, atua como delegado da Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia e é pré-candidato ao Senado por Goiás pelo Partido Novo. Nas redes sociais, ele se apresenta como o “delegado da caneta” e tem atraído seguidores por sua forte presença na internet.
Sua vida na política começou em 2018, quando foi eleito deputado estadual, com mais de 26 mil votos, e exerceu mandato na Assembleia Legislativa de Goiás de 2019 a 2023, período em que apresentou projetos e se envolveu em debates sobre segurança pública.
Dentre suas principais propostas como pré-candidato ao Senado, está a atuação na segurança pública, principalmente a redução da maioridade penal. “Eu defendo pelo menos no mínimo, 16 anos de idade, nós temos que fazer, trabalhar nessa questão da maioridade penal”, disse.
Teófilo também diz defender o “combate mais enérgico ao crime organizado e às facções criminosas”. “Avançamos com o projeto de lei anti facção, que já foi aprovado pelo Congresso e aguarda sanção presidencial, mas é necessário intensificar ainda mais o enfrentamento às facções criminosas”, esclareceu.
Além de pautas voltadas a família e liberdade, o combate a prática ilegal de combinação de preços entre empresas de combustíveis e a independência do Congresso Nacional também são pontos defendidos pelo pré-candidato.
Questionado sobre seu principal desafio durante a disputa à cadeira do Senado, o delegado afirmou que será “vencer o sistema”. “Nós vamos enfrentar o sistema. E o meu estilo é a política da consciência, do voto consciente, com o Partido Novo, que é um partido de direita, um partido que nós temos os nossos ideais. Nós não negociamos os nossos princípios”, declarou.
Delegado Yasser Yassine
Yasser Martins Yassine é delegado da Polícia Civil do Estado de Goiás, com atuação no Entorno do Distrito Federal. Ao longo da carreira, chefiou unidades como a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Formosa e participou de investigações de crimes de grande repercussão na região. Atualmente, é pré-candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Na trajetória política, Yassine disputou a Prefeitura de Formosa nas eleições de 2024, pelo Partido Verde (PV), em sua primeira experiência em uma candidatura majoritária.
Para as eleições de 2026, o delegado afirma que suas principais propostas estão ligadas às áreas da educação e da segurança pública. Segundo ele, o debate sobre segurança precisa ir além da atuação policial. “A gente vive um momento muito complicado na segurança pública do Brasil, e as pessoas pensam que ela é feita só de polícia. Na verdade, a segurança pública é muito mais do que isso”, afirmou.
Yassine também defende a renovação dos quadros políticos em Goiás e no país, como forma de ampliar o acesso de novos nomes aos espaços de poder. Para ele, a disputa eleitoral é desigual entre candidatos sem mandato e parlamentares que já ocupam cargos. “Hoje, concorrer com quem tem mandato é uma concorrência praticamente desleal. Essas pessoas contam com estrutura, cargos comissionados e milhões de reais em recursos parlamentares. Já quem não é rico e deseja representar a classe trabalhadora, as minorias e a população com menos condições financeiras acaba largando muito atrás”, declarou.
Coronel Cardoso
Pré-candidato a deputado federal, o Coronel Cardoso é um dos nomes cotados para a disputa pelo Partido Novo. Essa é a primeira vez em que ele coloca seu nome à disposição para carreira política. Com 26 anos de atuação na Polícia Militar, o coronel destaca sua trajetória profissional como base para a entrada na política. “Sou coronel da Polícia Militar há 26 anos, exerci funções de comando em várias regiões do Estado de Goiás, sou bacharel em Direito e especialista em segurança pública. Tive a oportunidade de realizar cursos fora do Brasil, como no Japão, na área de segurança pública”, disse.
Oriundo da segurança pública, o coronel Cardoso afirma que a área será uma de suas principais bandeiras na disputa eleitoral. Segundo ele, a proposta é levar para Brasília uma representação inédita da Polícia Militar goiana na Câmara dos Deputados. “A segurança pública é uma das minhas principais bandeiras. O que nós queremos é eleger um policial militar para deputado federal, algo que nunca aconteceu no estado de Goiás”, destacou.
O coronel ressalta que diversas decisões que impactam diretamente a carreira dos profissionais da segurança são de competência da União, o que reforça, segundo ele, a importância de uma representação no Congresso Nacional. “Questões como aposentadoria, tempo de serviço e legislações mais amplas da carreira e da segurança pública são tratadas em nível nacional. Por isso, é fundamental ter alguém em Brasília defendendo esses interesses”, afirmou.
Ele também se posiciona favoravelmente à criação de um Ministério da Segurança Pública com perfil técnico. “Somos favoráveis à criação de um ministério formado por profissionais da área, com ministros técnicos, capazes de traçar diretrizes para uma gestão mais eficiente da segurança pública em nível nacional”, declarou.
Para o coronel, a proposta se justifica pela própria dinâmica da criminalidade no país. “O crime acontece em um estado, mas reflete em outro. Muitas facções são interestaduais e até internacionais. Por isso, defendemos um ministério que realmente entenda do assunto e promova maior integração, uniformidade e padronização entre as forças policiais”, concluiu.
O coronel afirma que esta será sua primeira experiência em uma disputa eleitoral e diz que a decisão de colocar o nome à disposição surge da insatisfação com o modelo político atual. “Eu nunca coloquei meu nome à disposição para nenhum cargo eletivo, nem para vereador. Estamos vindo com ideias novas, porque entendemos que precisa haver uma reformulação do modelo político no país. Hoje, esse modelo é muito caro e está, de certa forma, desconectado do que a sociedade realmente quer”, declarou.
Segundo ele, há uma distância entre as prioridades definidas no Congresso e as demandas da população. “Muitas vezes, vemos coisas sendo aprovadas lá como prioridade, mas não é isso que as pessoas estão cobrando aqui na ponta”, afirmou.
Com 26 anos de atuação na Polícia Militar, o coronel destaca sua trajetória profissional como base para a entrada na política. “Sou coronel da Polícia Militar há 26 anos, exerci funções de comando em várias regiões do Estado de Goiás, sou bacharel em Direito e especialista em segurança pública. Tive a oportunidade de realizar cursos fora do Brasil, como no Japão, na área de segurança pública”, disse.
Ele também ressalta a experiência em gestão adquirida ao longo da carreira. “Além da atuação operacional, tenho conhecimento de gestão. Como comandante regional, atuei no Entorno do Distrito Federal, comandando vários batalhões e quartéis, o que exige não apenas planejamento operacional, mas também interação com outras forças e articulação política”, concluiu.
Fabrício Rosa
Fabrício Rosa é policial rodoviário federal há 26 anos, policial LGBTQIA+ e militante da área de segurança pública, com atuação em movimentos sociais e na defesa dos direitos humanos.
O pré-candidato a deputado estadual pelo PT afirmou que sua candidatura tem como foco a construção de uma política de segurança pública baseada no respeito aos direitos humanos e à democracia. “Sou policial rodoviário federal há 26 anos e nossa pré-candidatura busca fortalecer uma segurança pública profissional, séria e cidadã, a partir do nosso lugar”, declarou.
Policial LGBTQIA+, Fabrício destacou sua atuação em movimentos ligados à área de segurança. “Faço parte da RENOSP e sou fundador do movimento Policiais Antifascismo. Nós nos colocamos contra a violência policial e defendemos uma segurança pública humanizada”, disse, ressaltando também sua atuação de quase 20 anos na defesa de crianças, adolescentes e grupos vulnerabilizados.
Ao criticar o governo estadual, o pré-candidato afirmou que Goiás vive um cenário de violência política e social. “O governador Ronaldo Caiado diz que Goiás é um estado seguro, mas ele é inseguro para a população LGBT, para as mulheres e para a população em situação de rua”, afirmou. Segundo Fabrício, as violências contra a população LGBT cresceram mais de 1.000% entre 2023 e 2024, e os casos de feminicídio aumentaram 54% de 2024 para 2025 no estado.
Ao falar sobre disputar espaço político em um estado majoritariamente governado pela direita, Fabrício afirmou que o desafio é mais estrutural do que ideológico. “O desafio é grande, mas não é da forma que as pessoas apontam. Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve 41,3% dos votos em Goiás. De cada dez goianos, quatro votaram em Lula, que venceu em várias cidades do estado”, destacou.
Segundo ele, a principal desigualdade está nos recursos financeiros. “A diferença não é porque Goiás é conservador, é porque nós temos menos recursos. Estamos fazendo uma campanha contra milionários”, afirmou, citando nomes como o governador Ronaldo Caiado, o prefeito Sandro Mabel e famílias tradicionais da política goiana. “O que está em disputa é a classe trabalhadora contra herdeiros, oligarcas e famílias aristocráticas que estão no poder há décadas”, disse.
Major Vitor Hugo
Major Vitor Hugo é vereador por Goiânia, filiado ao PL, e atua como um dos principais nomes do bolsonarismo em Goiás. Atualmente, se coloca à disposição do partido para disputar cargos majoritários ou proporcionais nas eleições de 2026.
O vereador afirmou que, no momento, é pré-candidato a deputado federal, mas deixou claro que seu projeto político depende das definições internas do partido. “Eu sou pré-candidato a deputado federal. Mas, se o PL decidir lançar uma segunda vaga ao Senado, a primeira vaga, com o meu apoio incondicional, é do Gustavo Gayer”, declarou.
Segundo Major Vitor Hugo, o cenário ainda está em construção. “Se o Gayer, o Wilder Morais e a Nacional entenderem que é importante termos uma segunda vaga ao Senado, eu já me coloquei como voluntário para essa missão”, afirmou, citando que a base governista pode lançar até cinco candidaturas ao cargo.
O vereador reforçou que seguirá a orientação partidária. “Eu sou soldado do partido. Se for decisão do presidente Jair Bolsonaro que eu não concorra este ano, sigo feliz como vereador. Se for para concorrer a deputado federal ou ao Senado, estou à disposição”, disse.
Ao comentar suas pautas prioritárias, o parlamentar afirmou que defende uma atuação mais firme do Congresso Nacional. “É fazer com que o Parlamento tenha, efetivamente, a primazia que a Constituição garante. Hoje, infelizmente, outros poderes adentram as competências do Legislativo, o que enfraquece a representatividade do cidadão por meio dos seus representantes”, declarou.
Major Vitor Hugo destacou que pretende manter a segurança pública como eixo central de sua atuação política. “A pauta da Segurança Pública é recorrente para mim e eu tenho interesse em continuar militando nessa área”, afirmou.
Segundo ele, o enfrentamento à criminalidade precisa passar por uma reorganização das responsabilidades entre os entes federativos. “Defendo fortalecer estados e municípios no combate à criminalidade, e não concentrar tudo apenas na União”, concluiu.
Coronel Urzeda
Atualmente como vereador de Goiânia, o Coronel Urzeda (PL), está como pré-candidato a deputado estadual por Goiás pela mesma legenda. Policial Militar da reserva, ele ganhou projeção pública ao tentar a carreira como deputado estadual em 2022, mas não foi eleito. Em 2024, conquistou uma cadeira na Câmara dos Vereadores com 5.602 votos.
Pautas voltadas à educação, segurança pública, agronegócio e saúde são as principais trabalhadas pelo Coronel. Ao Jornal Opção, ele afirma que a segurança pública será uma de suas principais prioridades e defende que Goiás avance para se tornar o estado mais seguro do país. “Goiás é um estado seguro, mas queremos que seja o mais seguro do Brasil, com valorização das forças policiais, investimentos em qualificação, salários e equipamentos”, disse.
Ele também destaca a educação como ferramenta de prevenção à criminalidade. “Investir na educação é essencial para tirar o jovem do mundo do crime. As escolas militares são referência, e Goiás lidera o Ideb das escolas públicas”, afirmou.
Urzeda ressalta ainda a importância do agronegócio para o estado. “Goiás é um estado do agro, e precisamos valorizar o homem do campo”, declarou.
Por fim, aponta educação, saúde e segurança como pilares da atuação política e afirma que defenderá valores conservadores e a família. “Essas áreas são a base de tudo, e quero representar as famílias goianas”, concluiu.
O Jornal Opção também entrou em contato com outros representantes da categoria policial, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta sobre o futuro político dele.
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