Pensar em uma cirurgia costuma trazer um misto de sentimentos. Entre eles, a ansiedade e o medo da anestesia aparecem com frequência nas conversas entre pacientes e familiares. O receio de não acordar após o procedimento, de sentir dor durante a cirurgia ou de enfrentar alguma complicação ainda é comum. Mas, segundo a anestesiologista Thais Cançado, do Servan Anestesiologia, muitas dessas preocupações estão ligadas à falta de informação ou a ideias antigas sobre a especialidade. Hoje, a anestesiologia é considerada uma das áreas mais seguras da medicina. O avanço das tecnologias de monitorização, o uso de medicamentos cada vez mais precisos e protocolos rigorosos permitem que o paciente seja acompanhado em tempo real durante toda a cirurgia. “O planejamento é sempre individualizado. Avaliamos idade, histórico de saúde, tipo de cirurgia, exames e medicamentos em uso para escolher a técnica anestésica mais adequada”, explica a médica. Presença antes, durante e depois da cirurgia Ao contrário do que muita gente imagina, o anestesiologista não atua apenas no momento da cirurgia. O trabalho começa antes mesmo do procedimento, na chamada avaliação pré-anestésica. É nesse encontro que o médico conhece o histórico do paciente, orienta sobre jejum, uso de medicamentos e esclarece dúvidas que costumam gerar insegurança. Durante a cirurgia, o anestesiologista monitora continuamente funções vitais como respiração, pressão arterial, frequência cardíaca e oxigenação, ajustando a anestesia sempre que necessário. Depois do procedimento, o especialista também pode acompanhar a recuperação anestésica e atuar no controle da dor. “Entender esse processo costuma trazer mais tranquilidade. Saber que existe um profissional dedicado exclusivamente ao conforto e à segurança do paciente ajuda a tornar a experiência cirúrgica menos tensa”, afirma a médica. Mitos e verdades sobre anestesia Algumas dúvidas ainda aparecem com frequência entre pacientes. Especialistas esclarecem os principais pontos: Toda anestesia faz dormir? Não. Apenas a anestesia geral provoca inconsciência total. Em técnicas como raquianestesia ou peridural, a dor é bloqueada apenas em uma região do corpo e o paciente pode permanecer acordado ou sedado. Existe risco alto de não acordar? Não. Com o monitoramento contínuo e os medicamentos atuais, a anestesia é considerada bastante segura. Anestesia na coluna pode causar paralisia? Complicações graves são extremamente raras quando o procedimento é realizado por equipe qualificada e após avaliação adequada. Dor de cabeça após raquianestesia é comum? Pode ocorrer, mas tornou-se menos frequente com o uso de agulhas mais finas e técnicas mais modernas. Náusea e tontura após anestesia são normais? Podem acontecer, principalmente após anestesia geral, mas geralmente são temporárias e têm tratamento. Consulta prévia aumenta a segurança A avaliação pré-anestésica é considerada uma etapa essencial antes de qualquer cirurgia. Nela, o especialista identifica possíveis fatores de risco e define a melhor estratégia para o procedimento. Também é nesse momento que o paciente deve informar todos os medicamentos de uso contínuo. Alguns remédios podem interferir na ação dos anestésicos ou exigir cuidados específicos durante a cirurgia. Entre eles estão certos sedativos, como benzodiazepínicos, e alguns medicamentos usados no tratamento do diabetes, que podem influenciar o controle da glicemia durante o jejum pré-operatório. Informação reduz a ansiedade A anestesiologia moderna combina tecnologia, planejamento individualizado e acompanhamento em todas as fases do procedimento cirúrgico. Mais do que tornar a cirurgia possível, a anestesia hoje também busca garantir conforto, segurança e uma recuperação mais tranquila para o paciente. “Quando o paciente entende como funciona cada etapa do processo, a ansiedade diminui. Informação fortalece a confiança na equipe médica e ajuda a enfrentar o procedimento com mais tranquilidade”, conclui a anestesiologista.