Caso Banco Master e família Moraes não deve levar Malu Gaspar para o “banco dos réus”
Repórteres investigativos são afoitos e, daí, apressados? Nem sempre. Muitos deles são meticulosos e cautelosos. Mas a pressão para publicar a notícia, às vezes com receio de serem furados, pode levá-los a não apurar com a necessária precisão. Por isso, o que parece “fato” não raro pode se tornar “não-fato” ou “meio-fato” — alguma coisa assim.
Repórter de “O Globo” (colunista não é profissão, a rigor), Malu Gaspar é uma das profissionais mais responsáveis da imprensa brasileira. Não figura entre os apressados. Ela apura cuidadosamente os fatos. Mas, aqui e ali, pode cometer um deslize?
No caso do Banco Master e suas relações com a família do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Morais — sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e filhos —, falta clareza no que a imprensa publicou e está publicando. Ocorre o seguinte: um jornal publica uma reportagem e os demais a replicam, sem apuração correspondente.
Blogueiro diz que contrato não existe
O fato estabelecido é que o escritório de Viviane Barci de Moraes advoga para Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Mas está firmado, inteiramente comprovado, que o escritório de Viviane Barci de Moraes assinou um contrato para receber 129 milhões de reais do Banco Master?
Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, afirma que o contrato de 129 milhões de reais “não existe” (ou pelo menos não foi divulgado). Os jornais que publicaram a informação, sublinha o blogueiro, “não” tiveram o cuidado de apresentá-lo aos seus leitores.
“Os ‘R$ 129 milhões’ (R$ 3,6 milhões por 36 meses) aparecem repetidamente em colunas jornalísticas e comentários políticos, sempre atribuídos a ‘fontes’, ‘interlocutores’ ou ‘apuração’ baseada em mensagens apreendidas, sem documentos originais, datas exatas de repasses, extratos bancários ou descrições detalhadas dos serviços efetivamente prestados”, frisa Eduardo Guimarães. “Quem afirma a existência de um contrato deve apresentar provas cabais — não o contrário.”
Blogs ligados ao petismo decidiram “crucificar” Malu Gaspar. Alegam que a repórter publicou que Alexandre de Moraes entrou em contato com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes, para pressioná-lo em favor do Banco Master e, em seguida, recuou.
De fato, Alexandre de Moraes e Gabriel Galípolo conversaram, não se sabe quantas vezes, mas, de acordo com ambos, não trataram do Banco Master, e sim da Lei Magnitsky.
Então, no caso, a repórter errou. Ou melhor, supostamente errou. Porque, a rigor, as questões a respeito do Banco Master não estão inteiramente esclarecidas.
Curiosamente, Malu Gaspar — antes tida como “petista” pela direita — começou a ser defendida pelo bolsonarismo e atacada por petistas. Ela agora estaria a serviço da direita e, quem sabe, de André Esteves, do Banco Pactual. Estaria mesmo?
Não há prova alguma de que Malu Gaspar esteja a serviço do lado sujo da política e dos negócios. A repórter está serviço de “O Globo” e, sobretudo, dos leitores. É uma profissional do mais alto gabarito — tanto em termos de investigação jornalística quanto morais.
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