Mabel termina 2025 com saldo positivo sobre o Legislativo
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), teve um 2025 com intensas quedas de braços com vereadores da capital. Apesar disso, ele finalizou o ano com saldo positivo e conseguiu aprovar diversas matérias de interesse do Executivo, principalmente nas semanas que antecederam o ponto facultativo do Ano Novo e o recesso parlamentar. A articulação entre o Paço e a Câmara teve significativas melhoras com a troca do líder do governo da Casa Legislativa, que passou das mãos de Igor Franco (MDB) para Bessa (DC).
A troca de líder, inclusive, foi um fato marcante quando falamos entre o Legislativo e Executivo goianiense. Em uma coletiva de imprensa realizada em agosto, Mabel agradeceu o tempo em que Igor Franco esteve na liderança. Porém, o desgaste entre os dois políticos estava mais do que evidente. Conforme a coluna Bastidores, o vereador teria condicionado apoio de colegas parlamentares a sua pré-candidatura a deputado federal em 2026 à oferta de vagas na gestão municipal, apresentando nomes ao Paço. O movimento, no entanto, foi rejeitado pelo prefeito.
Sem o retorno positivo, Igor teria intensificado as articulações para a criação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpa Gyn. A iniciativa foi interpretada como uma forma de pressão sobre o Executivo. A resposta não demorou muito. O irmão de Igor, Diogo Franco, até então secretário de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços de Goiânia (Sedicas), foi exonerado um dia antes de Mabel oficializar a saída do vereador da liderança. Franco, de imediato, passou a fazer oposição ao prefeito. Em um dos primeiros pronunciamentos, ele criticou a limpeza pública da capital e defendeu a criação da CEI. O parlamentar ainda chegou a dizer que estava sofrendo boicote de pastas do Executivo.
Na ocasião, Mabel negou as represálias, disse que “tem muita gente que vai colher o que planta”, mas disse que, por outro lado, “não vai atender uma pessoa que está afrontando o município e que não esteja ajudando de um momento difícil”. Além disso, afirmou que as queixas de parlamentares vêm pelo fato de ele ter “acabado com a mamata”.
Apesar dos conflitos, Mabel, aos poucos, conseguiu contornar a situação. A CEI foi criada e durou cerca de três meses de trabalho, mas o relatório final foi antecipado e os parlamentares deduziram que as falhas detectadas na prestação de serviço ao município não configuram má-fé por parte da empresa. Willian Veloso (PL), que foi o relator, afirmou que não ficou constatado desvio de recursos ou algo que justificasse medidas judiciais. Vale lembrar que as investigações abarcavam a gestão do ex-prefeito de Goiânia, Rogério Cruz. Com isso, o texto trouxe apenas 12 recomendações.
Antes das principais votações, Mabel almoçou com 24 vereadores, quando conseguiu azeitar a sua base, costurando as últimas definições sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA), que teve aprovação em definitivo na última terça-feira, 30. Com isso, o Paço terá um orçamento de 10,8 bilhões. A proposta manteve seis emendas de vereadores aprovadas pela Casa, além de todas as emendas impositivas acolhidas pela Comissão Mista. Sobre os valores constitucionais referentes a 25% da Saúde e 15% da Educação, o orçamento de Goiânia ficou com 26,01% para a primeira área e 18,41% para a segunda.
Para as emendas impositivas, cada um dos 37 vereadores ficou com aproximadamente R$ 5 milhões para destinação própria, sendo o valor total das emendas em R$ 185 milhões — referente aos 2% do orçamento público. O valor, inclusive, foi motivo de confronto entre vereadores e prefeitos ao longo da discussão, mas os atores chegaram a um denominador comum.
Na mesma votação, a Câmara aprovou o fim da Taxa do Lixo. O fato seria uma perda para o Executivo, mas o vereador Thialu Guiotti (Avante) apresentou uma emenda, que foi aprovada, onde condiciona a revogação da taxa à apresentação de estudo de impacto orçamentário e financeiro e à indicação de medidas de compensação da perda de arrecadação, conforme exigências da legislação federal. Diante disso, os goianienses continuam pagando a Taxa do Lixo até a determinação de uma nova fonte orçamentária, tarefa que será difícil de ser realizada pela oposição, o que pode culminar no impedimento da revogação da taxa na prática.
Além disso, houve mudanças na destinação dos recursos da Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (Cosip), que poderão ser revertidos na implantação e manutenção de câmeras de segurança, centrais de vigilância e equipamentos tecnológicos de prevenção e de resposta a ocorrências.
Ainda nas últimas sessões, a base do prefeito rejeitou, por 27 a 7, o Projeto de Decreto Legislativo nº 126/2025, do vereador Igor Franco, que visava suspender os efeitos do Decreto nº 28/2025 que declarou estado de calamidade financeira em Goiânia. Algumas semanas depois, a Assembleia Legislativa confirmou mais 180 dias de calamidade financeira na saúde, em mais um vitória sobre o tema.
Ainda no mês de dezembro, Mabel conseguiu a aprovação de um pacote de benefícios para os servidores como a data-base, ajuda de custo para servidores da Educação, vale-alimentação para a Saúde e projetos como o Programa Escola Viva, responsável pela transferência transferência de recursos para manutenção predial das unidades educacionais do município.
Por fim, um dos projetos que mais teve discussão na última terça-feira foi o empréstimo de R$ 132 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pelo Paço Municipal. Apesar de ser tratado em um sessão exaustiva, o projeto foi aprovado com um placar de 22 a 8. Segundo a prefeitura, o dinheiro será utilizado para o financiamento do novo programa “Goiânia + Digital”, que substitui o antigo “Cidade Inteligente”, criado na gestão anterior.
O secretário de Inovação, Tecnologia e Transformação Digital, Fábio Christino informou ao Jornal Opção que, dentre as ações previstas no “Goiânia + Digital”, estão a digitalização completa dos documentos do Paço Municipal, a expansão do videomonitoramento urbano, a instalação de sensores inteligentes voltados à segurança e à mobilidade, além da criação do Centro de Inteligência e Gestão de Operações, inspirado no modelo adotado no Rio de Janeiro. O programa contará com 13 eixos temáticos próprios, além de outros 11 eixos complementares de transformação digital.
Diante tudo isso, Mabel começa 2026 com motivos para comemorar, mas ainda com muito a se fazer. A saúde, zeladoria urbana e infraestrutura ainda são gargalos da sua gestão que, apesar de algumas mudanças, ainda são temas de divergência sobre significativas melhorias para a população. Além disso, ele terá que manter a base equilibrada para conseguir mais vitórias dentro da Casa Legislativa.
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