Entre os dias 20 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, Mato Grosso do Sul teve 639 pedidos de medida protetiva registrados na Justiça. O número representa a média diária de 35 solicitações no período em que grande parte das famílias está de férias por conta das festas de Natal e Ano Novo, sendo mais da metade feitas por mulheres que moram em Campo Grande. Do total de pedidos feitos, a maioria foi em Campo Grande (342). O número representa 53,52% das 639. As outras duas cidades com mais foram Dourados com 75 (11%) e Três Lagoas com 52 (8%). Os números mostram que a violência de gênero persiste no Estado onde 37 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025. Entre os casos mais recentes, está o de uma idosa de 65 anos que foi esfaqueada pelo companheiro na noite de 6 de janeiro. O caso, registrado como tentativa de feminicídio, aconteceu na Aldeia Jaguapiru, em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande. Houve uma discussão entre o casal e a vítima foi atingida no braço, perna e pescoço. O homem de 55 anos foi preso em flagrante. No dia 31 de dezembro, a mulher de 31 anos, moradora do Bairro Santa Luzia, na Capital, teve a casa incendiada pelo companheiro de 35 anos que não aceitou o pedido de separação. Na ocasião, ela e a filha de 15 anos tiveram a medida protetiva deferida pela Justiça. A residência onde moravam foi totalmente destruída e o autor acabou preso em flagrante. Também na data em que é celebrada a virada de ano, rapaz de 29 anos foi preso em flagrante por ameaçar a companheira de 26. O caso aconteceu entre a noite de 31 de dezembro e a madrugada do dia 1º de janeiro no Bairro Parque do Lageado. Na ocasião, não houve agressão física, mas o autor estava bêbado e ela não quis conversar com a imprensa. Ainda em Campo Grande, no dia 2 de janeiro, uma menina de 9 anos ligou para a Polícia Militar para pedir socorro. Na ocasião, o companheiro agredia a mãe da criança dentro da casa da família, no Bairro Jardim Los Angeles. A Polícia Militar prendeu em flagrante o borracheiro de 28 anos. Ao Campo Grande News, a mulher contou que o casal se conheceu ainda jovem, na igreja. Ela tinha 15 anos, ele 18. A mãe dela, desde o início, alertava que ele não parecia um bom parceiro e o aviso nunca saiu da memória. O comportamento agressivo começou a se intensificar após a morte da sogra, em 2020, vítima de infarto. Foi a partir dali que as violências se tornaram frequentes, mas dois dias depois da agressão, ela ainda não havia procurado a polícia. Já no dia 4 de janeiro, o taxista foi preso em flagrante por esfaquear a companheira de 43 anos em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande. A mulher foi socorrida em estado grave. Ela sofreu ferimentos no rosto, pescoço e mãos por tentar se defender do agressor. Em depoimento, o suspeito alegou que ambos haviam ingerido bebida alcoólica durante a noite e que uma discussão pela manhã teria antecedido o ataque. A versão será investigada. Ele foi autuado por tentativa de feminicídio. A vítima permanece internada na Santa Casa de Campo Grande.