Câncer de mama em mulheres jovens acende alerta após relato de neta de Carlos Alberto de Nóbrega
O relato público da influenciadora Bruna Furlan de Nóbrega, de 24 anos, neta do apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, sobre o diagnóstico de câncer de mama trouxe visibilidade a um tema que já preocupa especialistas: o aumento da incidência da doença em mulheres cada vez mais jovens.
Diagnosticada no fim de 2025, Bruna decidiu compartilhar nas redes sociais a forma como pretende enfrentar o tratamento, conciliando sessões de quimioterapia com atividades físicas e momentos de lazer. A exposição do caso repercutiu amplamente e levantou questionamentos sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de mama fora da faixa etária tradicionalmente associada à doença.
De acordo com o médico mastologista Alexandre Marchiori, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Goiás (SBM-GO), o crescimento dos casos em mulheres jovens é real e vem sendo acompanhado de perto pela comunidade médica. “Há pelo menos cinco anos discutimos especificamente o câncer de mama em mulheres jovens. Isso acontece porque os números vêm aumentando e esse é um tipo de câncer que exige um olhar muito cuidadoso, já que surge em um momento da vida marcado por expectativas, planos e projetos”, explica.
Doença surge cada vez mais cedo
Segundo o especialista, não se trata apenas de um diagnóstico mais precoce do mesmo câncer que apareceria em idades avançadas. “O que observamos é que o pico de incidência do câncer de mama está se deslocando para idades mais jovens. Antes, falávamos em maior incidência aos 65 anos. Hoje, esse pico já está entre 50 e 55 anos, e essa curva continua se adiantando”, afirma.
Entre os fatores associados a esse cenário estão mudanças hormonais e comportamentais. A menarca precoce — quando a primeira menstruação ocorre cada vez mais cedo — aumenta o tempo de exposição da mulher aos hormônios femininos, o que eleva o risco de alterações nas células mamárias. A postergação da maternidade, a menor frequência de amamentação, além de hábitos como consumo de álcool, tabagismo, obesidade, noites mal dormidas e dietas ricas em alimentos ultraprocessados também estão entre os fatores de risco.
Rastreamento ainda é desafio em mulheres jovens
Apesar do aumento de casos, o rastreamento de rotina em mulheres com menos de 40 anos ainda não é recomendado de forma ampla. Apesar desse crescimento, a incidência da doença nessa faixa etária ainda é proporcionalmente baixa. Por isso, segundo o especialista, a mamografia apresenta limitações nesse público. “Além disso, a mamografia, que é o principal exame de rastreamento, tem menor eficácia em mulheres jovens, principalmente por causa da densidade das mamas, que pode esconder lesões”, explica Marchiori.
Nesses casos, o ultrassom das mamas é o exame mais utilizado, especialmente quando há sintomas ou alterações percebidas pela própria paciente. Para o médico, o autoconhecimento é fundamental. “A mulher jovem precisa se tocar, conhecer o próprio corpo e procurar um especialista ao perceber qualquer mudança. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de cura.”
Histórico familiar e investigação genética
O alerta é ainda maior para mulheres com histórico familiar de câncer de mama. Segundo o mastologista, quando há muitos casos na família, é indicada a investigação genética. “Nem todo câncer é hereditário. Mas quando existe suspeita de mutação genética transmitida de geração em geração, intensificamos o acompanhamento e ampliamos a quantidade e a frequência de exames”, afirma.
Em mulheres jovens, a presença de mutações hereditárias é mais frequente, o que pode explicar diagnósticos em idades precoces e orientar tratamentos mais personalizados.
Tratamento e preservação da fertilidade
Outro ponto central no cuidado de mulheres jovens com câncer de mama é a preservação da fertilidade. “Quando falamos de pacientes de 20 ou 30 anos, pensamos não apenas na cura imediata, mas no futuro dessa mulher. Existem estratégias para proteger a função ovariana durante a quimioterapia e técnicas seguras de congelamento de óvulos antes do início do tratamento”, destaca Marchiori.
A abordagem terapêutica, que pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, é definida de acordo com o subtipo molecular do tumor, mas sempre levando em conta o impacto a longo prazo. “É diferente tratar uma mulher jovem, que pode ter décadas de vida pela frente, e uma paciente idosa. O olhar precisa ser mais amplo, considerando risco futuro e qualidade de vida após a cura”, explica.
Visibilidade que gera conscientização
Ao tornar público seu diagnóstico, Bruna Furlan de Nóbrega acabou se tornando referência para outras mulheres da mesma faixa etária que enfrentam a doença. Para o ex-presidente da SBM-GO, a exposição tem efeito positivo. “Quando uma jovem conhecida fala sobre câncer de mama, ela gera identificação, informação e alerta. Isso ajuda outras mulheres a procurarem ajuda mais cedo e contribui para quebrar o estigma de que a doença só atinge mulheres mais velhas”, conclui.
O caso reforça a importância da informação, do acompanhamento médico especializado e do debate público sobre uma doença que, cada vez mais, deixa de ter idade definida.
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