Mato Grosso do Sul é uma das poucas unidades federativas que realizam testes para a paracoccidioidomicose, considerada uma doença negligenciada — por afetar populações pobres e contar com baixo investimento em pesquisas. Eles podem ser procurados no Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). O nome comprido, difícil de pronunciar e desconhecido pela maioria é o da micose sistêmica que mais mata no Brasil. Ela é causada por um fungo que vive no solo e infecta agricultores, principalmente, além de pessoas que trabalham nas cidades com construção civil e jardinagem, por exemplo. Além do Estado, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rondônia e Mato Grosso possuem laboratórios que fazem exames, segundo levantamento que o Metrópoles publicou no último sábado (10). Ainda segundo o jornal, dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) indicam que Mato Grosso do Sul teve três internações relacionadas à doença entre janeiro de 2017 e agosto de 2025. Não houve óbitos. Os estados com maior número de mortes no período foram São Paulo (28), Minas Gerais (16) e Roraima (16). A portaria nº 264, de 17 de fevereiro de 2020, do Ministério da Saúde, tornou a notificação da paracoccidioidomicose obrigatória, mas ela ainda não consta na Lista Nacional de Notificação Compulsória. Em Mato Grosso do Sul, ela deve ser informada obrigatoriamente pelos serviços de saúde desde 2005, de acordo com informação trazida pelo "Boletim Epidemiológico Especial da Paracoccidioidomicose de Mato Grosso do Sul (2000 a 2024)", publicado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em agosto do ano passado. No entanto, não existe uma ficha de investigação própria, sendo notificada na ficha de notificação individual padrão do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), que contém só as informações básicas dos casos. Casos - O boletim da Fiocruz também informa que houve 318 casos notificados entre 2007 e 2021 no Estado. A maioria dos doentes teve problemas no pulmão relacionados à doença. Em 2024, quando foi possível obter dados mais detalhados, o estudo avaliou que a idade dos pacientes variou de 11 a 78 anos e que o sexo masculino era predominante. Transmissão, sintomas e tratamento - Segundo informações do Ministério da Saúde, a principal forma de infecção é por inalação. Não existe transmissão entre humanos nem de animais ao homem. Os sintomas incluem perda de peso, lesões na pele, fraqueza, febre e ínguas (linfonodos inchados). Ainda não existem vacinas para prevenir a doença. Os tratamentos disponíveis podem durar anos, a depender da gravidade do caso, e são realizados com antifúngicos e outros medicamentos.