Добавить новость
smi24.net
World News in Portuguese
Февраль
2026
1 2 3 4 5 6 7 8 9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28

Com aumento de homens nas ruas, mulheres já evitam andar sozinhas em Inocência

0
A calmaria de andar sozinha na rua já não é mais possível para as mulheres de Inocência. O crescimento populacional, especialmente com a chegada de centenas de homens desconhecidos em busca de emprego, tem aumentado a sensação de insegurança. Elas relatam preocupação constante com a própria segurança e o receio de que a violência — comum à realidade de tantas brasileiras — também passe a fazer parte do cotidiano da cidade. O Campo Grande News esteve por dois dias em Inocência, município a 339 quilômetros da Capital, e conversou com mulheres que vivenciaram o outro lado do crescimento acelerado dos últimos cinco anos. O sentimento relatado foi unânime, independentemente da idade e da classe social: medo de sair sozinha pelas ruas.  Uma das que mencionaram esse sentimento foi a auxiliar administrativa Beatriz Oliveira, de 20 anos. Ela explica que nasceu em Inocência, mas passou a infância e parte da adolescência morando na fazenda. Há cerca de três ou quatro anos se mudou definitivamente para a área urbana. Desde então, diz ter percebido mudanças na dinâmica da cidade, principalmente após a chegada de trabalhadores de fora. “Dá um medo, tem hora. Porque é homem diferente, a gente não conhece, não sabe a intenção”, disse Beatriz. Beatriz conta que não costuma andar sozinha na rua. Na verdade, afirma que nunca teve esse hábito e que sempre procurou estar acompanhada. Ainda assim, avalia que o receio aumentou recentemente, justamente por causa da quantidade maior de homens circulando pela cidade. “Confesso que sinto mais medo agora, por causa da quantidade de homens. Aumentou na cidade”, comenta.  Entretanto, ela diz que nunca sofreu assédio e que, até onde se lembra, também não ouviu relatos de amigas próximas sobre situações semelhantes, mas reconhece que a sensação de insegurança se intensificou. Moradora de Inocência há 17 anos, a empresária Cristina Franscisca de Almeida, 47, também percebe alterações na rotina. Natural do interior de São Paulo, ela afirma que, se quiser passear com mais tranquilidade, prefere sair da cidade. “A única coisa que eu falo hoje é que, se eu quiser passear, preciso sair para fora. Porque, por outro lado, também acho que aumentou bastante essa questão”, explica Cristina. Para Cristina, houve aumento de homens nas ruas, inclusive em situações de embriaguez ou uso de drogas, o que faz com que muitas mulheres passem a evitar sair à noite. “Principalmente para mulher, eu acho que a gente meio que chega do serviço e vai para casa. E, se quiser passear, tem que pensar bem”, explica Cristina. “Muita gente que eu sabia que saía, ia a restaurante, alguma coisa, não vai mais”, complementa.  Ela descreve situações em que homens, por estarem sob efeito de álcool ou drogas, acabam gerando confusão, apesar de ressaltar que não generaliza e de reconhecer que há muitos trabalhadores honestos na cidade. Por exemplo, está um casal, e os caras ficam olhando. Às vezes dá confusão, porque já estão meio drogados, meio bêbados. Não estou generalizando, pelo amor de Deus. Tem muita gente boa, que é quem realmente ergue esse país. Não é isso. Mas sempre tem um ou outro ali, é complicado”, relata Cristina. Outra moradora de 48 anos, que vive há menos de um ano em Inocência, mas que preferiu não se identificar, afirma que a sensação de insegurança é compartilhada por muitas mulheres. Para ela, a quantidade de homens nas ruas chama a atenção, já que parece um “exército na rua”. “Eu acho que todas as mulheres, no geral, se sentem inseguras”, explica. “É muito homem. Então a gente acaba ficando insegura”, disse a mulher de 48 anos. Ela diz que evita andar sozinha à noite e que, durante o dia, só sai quando considera necessário. Segundo ela, amigas também deixaram de sair desacompanhadas à noite. Elas falam que, à noite, não andam sozinhas mais. Não porque a gente esteja discriminando os homens, não. A gente sabe que tem pai de família, homens de boa índole. Só que, por causa da quantidade de homens, aquele monte de homem junto, a gente acaba não se sentindo segura mesmo, disse a mulher de 48 anos.  O receio atinge também a família. A mulher conta que a filha, de 18 anos, tem medo de sair à noite e que, como forma de proteção, a família chegou a providenciar um taser para ela. Além disso, defende maior presença policial e a criação de uma Delegacia da Mulher na cidade, com atendimento especializado para vítimas. "Falta ter esse atendimento mais voltado para a gente”. Outro reflexo do crescimento populacional apontado por moradoras é a ampliação das boates e casas de prostituição. Em vários pontos da cidade, especialmente próximo à saída para a MS-377, é possível ver vários locais voltados ao entretenimento adulto. Entretanto, as profissionais do sexo relatam que também não estão ilesas da violência.  Esse é o caso de uma jovem de 25 anos, que atua como garota de programa e preferiu não se identificar, e relata já ter sofrido violência na cidade no ano passado. Na ocasião, diz que acabou por deixar o caso de lado “por não ver alternativas”.  Segundo ela, diversas colegas já passaram por abusos, importunação ou assédio. “Várias amigas que já foram abusadas, que sofreram importunação, assédio. Só que a maioria das meninas tenta dar um jeito de resolver de outras formas também, para não acontecer de novo”.  Atualmente, ela avalia que há um pouco mais de amparo do que havia anteriormente, mas considera a estrutura de segurança insuficiente diante do tamanho que a cidade tomou. No entanto, ela defende a criação de uma Delegacia da Mulher e o aumento do efetivo policial. “Pela quantidade de pessoas que tem na cidade, é muito pouca segurança. Se acontecem, por exemplo, quatro confusões ao mesmo tempo, já não tem polícia suficiente, e aí todo mundo fica à mercê”,  avalia a jovem de 25 anos. Outra trabalhadora do sexo, de 21 anos, afirma nunca ter sofrido pressão ou assédio diretamente. Ainda assim, reconhece que convive com o medo. “A gente vê muitas situações. Como eu trabalho nessa área [prostituição], acabo presenciando muita coisa. E, às vezes, pela necessidade de dinheiro, a gente acaba se submetendo a situações que colocam até a própria vida em risco. Então é bem complicado”,  Ela também critica a tendência de responsabilizar a vítima, dizendo que, independentemente da roupa ou da profissão, a mulher deve ser respeitada.  Eu acho que respeito serve para todos. Independentemente do trabalho ou de qualquer outra circunstância, o respeito tem que estar em primeiro lugar”, opina a mulher de 21 anos.  Violência em números -  Apesar do boom populacional vivido por Inocência desde 2022, quando foi anunciada a construção da nova fábrica de celulose na região, os dados oficiais indicam que o município não está entre os mais violentos de Mato Grosso do Sul. Ainda assim, os números revelam crescimento gradual em alguns indicadores, especialmente nos casos de violência doméstica. Conforme o Monitor da Violência Contra Mulher, da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), os registros de estupro praticamente triplicaram nos últimos cinco anos. Em 2021, foram contabilizados 4 casos.  Em 2022, o número dobrou para 8 casos e seguiu em alta: 9 casos em 2023, 10 casos em 2024 e 14 casos em 2025 — o maior patamar da série recente. Em 2026, até o dia 7 de fevereiro, já há 1 ocorrência registrada. O avanço mais expressivo, no entanto, aparece na violência doméstica. Em 2021, foram 53 registros. O número caiu para 41 em 2022, mas voltou a subir nos anos seguintes: 58 em 2023, 70 em 2024 e 73 em 2025. Apenas nas primeiras semanas de 2026, já são 4 casos formalizados. A curva indica que, mesmo sem explosões abruptas, há tendência de crescimento desde o início das obras e da ampliação populacional. Outro indicador que acompanha essa elevação é o das medidas protetivas de urgência concedidas às vítimas. Em 2021, foram 20 solicitações. Em 2022, 21 solicitações. O número saltou para 29 solicitações em 2023, 36 solicitações em 2024 e chegou a 51 solicitações em 2025 — mais que o dobro em relação a quatro anos antes. Em 2026, até 7 de fevereiro, já são 3 medidas concedidas. Por outro lado, desde 2020 Inocência não registra casos de feminicídio, de acordo com o monitor estadual. O dado é considerado positivo dentro do cenário regional, mas convive com o aumento progressivo de denúncias de agressões, estupros e pedidos de proteção judicial. Embora os números absolutos ainda sejam inferiores aos de grandes centros urbanos, a evolução dos indicadores chama atenção para a necessidade de acompanhamento constante, sobretudo em um contexto de crescimento acelerado da cidade e mudança no perfil populacional. O que pode ser feito? - O prefeito de Inocência, Antonio Angelo Garcia dos Santos, o Toninho da Cofapi (PP), reconhece que a cidade vive hoje um forte desequilíbrio demográfico em razão da chegada de trabalhadores para a construção da fábrica de celulose.  Para o chefe do Executivo, a predominância masculina é um dos traços mais visíveis da nova fase econômica da cidade. “A quantidade de trabalhadores masculinos é muito grande. Ontem, pelo que me parece, nós contamos cerca de mil mulheres trabalhando em todos os setores. Já homens são entre 10 e 12 mil trabalhando em Inocência”, disse o prefeito.  Apesar disso, Toninho sustenta que a segurança pública tem atuado de forma satisfatória. Ele avalia que a Polícia Militar e a Polícia Civil vêm desempenhando um trabalho eficiente, mesmo diante do efetivo reduzido.  O prefeito também afirmou que tem buscado reforço junto ao Governo do Estado e relata ter conversado com o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, solicitando o envio de mais policiais para o município. Segundo ele, houve sinalização positiva de que parte do efetivo poderá ser direcionada a Inocência, embora ainda não haja prazo definido para isso ocorrer.  Toninho também defende que o aumento da população masculina não resultou, na sua avaliação, em um crescimento expressivo da violência contra a mulher. Ele argumenta que, em termos gerais, os casos são poucos e, quando ocorrem, estariam mais relacionados a “conflitos entre casais”.  Ainda assim, reconhece a existência de violência doméstica e afirma que o município pretende buscar a instalação de uma Delegacia da Mulher, considerada por ele uma estrutura importante para reforçar a proteção, especialmente de mulheres e crianças. Em meio às preocupações com os impactos sociais do empreendimento, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) também firmou neste mês parceria com a Arauco S.A., empresa responsável pela construção da fábrica de celulose Sucuriú, localizada a cerca de 50 quilômetros do centro urbano de Inocência.  O acordo, com duração prevista de 60 meses, tem como objetivo fortalecer a rede de atendimento a mulheres e crianças na região, além de promover ações voltadas à igualdade de gênero, inclusão social e desenvolvimento sustentável. Por meio da CIJ (Coordenadoria Estadual da Mulher e da Coordenadoria da Infância e da Juventude), o TJMS ficará responsável por capacitar profissionais da empresa sobre aspectos legais, psicossociais e institucionais relacionados à violência doméstica e aos direitos de crianças e adolescentes. A proposta inclui programas educacionais e campanhas de conscientização com foco em direitos humanos. O acordo prevê ainda a criação de canais de cooperação entre diferentes setores — como Justiça, saúde, educação, habitação e assistência social — para qualificar o atendimento a mulheres, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A intenção é estruturar uma rede capaz de responder ao crescimento populacional e às novas demandas sociais surgidas com a transformação acelerada de Inocência.














Музыкальные новости






















СМИ24.net — правдивые новости, непрерывно 24/7 на русском языке с ежеминутным обновлением *