Welington Peixoto: “Nós vamos brigar para que o PRD, em nível nacional, apoie Ronaldo Caiado para presidente”
Welington Peixoto é advogado e tem a política dentro do seio familiar. O pai, Tião Peixoto, está como vereador por Goiânia pelo PSDB e o irmão, Bruno Peixoto, é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Apesar da referência, Wellington destaca que conseguiu fazer o seu trabalho e tem uma base muito forte em Goiânia.
Ele foi eleito em 2012 e reeleito em 2020. Durante esse período, foi líder do governo de Iris Rezende. Em 2024, foi ensaiado uma possível volta para concorrer ao cargo no Partido Renovação Democrática (PRD), mas essa possibilidade foi descartada em seguida. Atualmente, ele está como diretor-geral da Câmara Municipal de Goiânia, cargo em que está à frente desde julho do ano passado.
Nesta entrevista ao Jornal Opção, Welington se apresenta como pré-candidato a deputado federal pelo PRD e detalha os trabalhos do para as eleições deste ano. Ele está como presidente da sigla, que tem como objetivo eleger três deputados federais e de seis a oito estaduais. Para isso, segundo ele, o partido “está aberto e não vai proibir ninguém de se filiar”. Um dos nomes que vão para a sigla será o do irmão Bruno Peixoto, que é pré-candidato a deputado federal. Outro nome que também pode disputar pela sigla é Romário Policarpo, cujo qual afirma ter feito uma dobradinha em Goiânia para angariar votos.
Welington também falou que o partido está com Ronaldo Caiado para presidente e tem apoiado Daniel Vilela como sucessor de Caiado visando a continuidade do trabalho do atual governador, mas confessa que o trabalho será árduo. Informou ainda que o pai, mesmo estando no PSDB, vai apoiar Caiado e Daniel. No campo municipal, falou sobre a gestão de Sandro Mabel e diz acreditar que os embates com os vereadores devem ser menores, já que o prefeito passou a ouvir mais os parlamentares.
Ton Paulo – Você é pré-candidato a deputado federal pelo PRD, partido cujo também assumiu o comando recentemente. Como você tem trabalhado para articular e fortalecer alianças?
Eu comecei a rodar pelo interior de Goiás, junto com o deputado Bruno Peixoto(UB), pelo Deputados Aqui, e estou conhecendo as demandas. O fato é que é uma eleição nova. Por mais que eu já tenha ajudado o Bruno, eu sempre tomei conta de Goiânia. E é completamente diferente uma eleição de deputado para vereador. Às vezes, a gente pensa que a forma de pedir voto é universal, mas não é. No interior, as pessoas gostam de te conhecer presencialmente, o popular “olho no olho”.
A minha pré-candidatura para deputado federal surgiu de uma conversa em que vimos a possibilidade do partido fazer três nomes, com a presença do Bruno e estando fechado 100% com o Romário Policarpo aqui em Goiânia. Dentro de uma análise real, o PRD precisaria de 40 mil a 50 mil votos para ter a terceira vaga, situação que, em outros partidos, está na faixa de 80 mil a 100 mil. Isso não significa que será uma tarefa fácil, uma vez que o Bruno também é pré-candidato a deputado federal e tem um trabalho à frente da Assembleia, tanto que ele vem sendo cotado para ser vice-governador devido ao seu atual tamanho político. Ele conseguiu ter uma liderança muito grande e promover uma transparência nunca vista dentro da Casa de Leis, com redução de custos e dando mais condições de trabalho. Hoje, as pessoas reconhecem o trabalho do deputado estadual graças à administração do Bruno, o que levou o nome dele a ser conhecido em todas as cidades de Goiás.
Por causa desse trabalho, algumas pessoas pensam que ele quer se eleger e o irmão também. Não é isso! Eu tenho a minha base eleitoral, o meu trabalho. E, dentro desse trabalho que fiz junto com Romário Policarpo na cidade de Goiânia, a gente enxergou essa possibilidade de disputar uma vaga dentro do PRD. São 17 vagas e o partido vem forte. A gente vem trabalhando a presidência da sigla para que possamos fazer um maior número de deputados federais, com uma chapa competitiva, e também para deputado estadual, junto com o grupo de Ronaldo Caiado, que é pré-candidato a presidente, Daniel Vilela (MDB), como governador, e Gracinha Caiado (UB).
Ton Paulo – O Jornal Opção apurou que, inicialmente, você poderia disputar uma vaga para deputado estadual. O que mudou?
As pessoas queriam que eu me candidatasse. Em nenhum momento eu quis ou falei que seria deputado estadual, até mesmo pelo compromisso que tenho com Romário Policarpo, que quer disputar o cargo. Quando deixei o mandato de vereador, em 2020, eu assumi a diretoria-geral da Câmara Municipal. Desde então, eu sempre estive com Romário. Nós temos um relacionamento muito bom dentro e fora da política. Ele vai à minha casa, eu vou à casa dele, nossas filhas são muito amigas.
Desse modo, a única forma de eu me candidatar seria se ele chegasse em mim e falasse: “Vamos ficar no mesmo partido e é muito importante que você dispute comigo para que façamos o maior número de deputados”. De outra forma, não. Porque, na política, a gente tem que ter compromisso, e a nossa palavra tem que valer. Eu sempre honrei o que falei dentro da política e é importante continuar tendo esse respeito político.
Ton Paulo – O PRD passou por perdas significativas na sigla no comando de Jorcelino Braga, como Magda Mofatto e o próprio Romário Policarpo. Como foram as articulações para você assumir a presidência do PRD? Teve uma interferência direta do Bruno Peixoto para isso?
Teve, tanto do Bruno quanto do [Jorcelino] Braga, com quem eu também tenho um bom relacionamento. Em 2020, quando fui candidato a vereador, ele me perguntou se eu queria assumir a presidência municipal, mas o Policarpo estava naquele momento, e eu falei para o Braga deixá-lo, que também era um desejo do Policarpo se manter.
Eu sempre tive um bom relacionamento com o Braga e o Bruno. Diante da federação do PRD com o Solidariedade, tinha que indicar alguém, já que ele não podia pelo fato de que não chegou o prazo da janela para ele sair do partido, e ele me indicou. Eu aceitei o convite e vamos trabalhar juntos para crescer ainda mais o PRD aqui em Goiás.
Bruna Ariadne – Como vai ser a formação de chapa do PRD, tendo em vista que o partido vai ter gente com mandato na corrida eleitoral e isso tem sido um fator de afastamento de novos nomes que estão tentando disputar as eleições de alguns partidos?
O PRD está aberto e não vai proibir ninguém de se filiar. Alguns partidos estão precisando de uma média de corte de 15 mil votos, e há pessoas que não têm mandato. Um exemplo disso foi o MDB, que fez uma grande chapa para vereador e se pensava que nem cinco seriam eleitos, e oito foram vitoriosos.
O novo objetivo é eleger de seis a oito deputados estaduais e, para isso, estamos convidando os deputados e quem quiser realmente participar do PRD, junto com a chapa do federal, que também será muito competitiva. O partido está aberto para quem tem mandato e para quem não tem, para que a gente possa fazer uma chapa forte.
Ton Paulo – No cenário nacional, como vai ser a posição do partido?
O Solidariedade rompeu com o Lula, por meio do Paulinho da Força. A tendência do PRD é não caminhar com o PT. Aqui em Goiás, o partido vai caminhar com o Ronaldo Caiado, e nós vamos brigar e dar a nossa opinião para que a sigla, em nível nacional, fique com Caiado para presidente.
Ton Paulo – Como você avalia essa possível composição do PL com o Daniel Vilela? Magda Mofatto, que saiu do PRD e voltou para o PL, tem sido uma ponte importante para consolidar essa aliança…
Eu vejo com uma certa dificuldade. O PL está muito dividido. Tem o grupo do Gustavo Gayer e o grupo do Wilder Morais. Eu não sei se é o momento ainda para fazer essa composição. Ainda há muitas perguntas a serem respondidas: o que o PL vai querer? Só a vaga do Senado ou vai querer indicar um nome para ser vice do Daniel Vilela? Eu não sei se vai dar liga essa composição.
O PL tem uma representatividade muito grande, a direita em Goiás ainda é muito forte, mas o fato de estar dividida complica os planos. Wilder Morais, durante diversas entrevistas, fala que não aceita composição, já se colocando como pré-candidato. Também há o cenário nacional que ainda está incerto, se Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro vão compor com Caiado, tendo em vista que os dois tiveram momentos de atritos. Atualmente, com essa direita dividida, eu acho que essa aliança não vai vingar.
Ton Paulo – Bruno Peixoto tem sido cotado para a vice. Como andam essas tratativas e por que o seu irmão é um bom nome para compor com Daniel Vilela?
Politicamente falando, Bruno está batendo de 5% a 6% das intenções de voto para deputado federal. É algo nunca visto. Porque os deputados federais que tiveram as grandes votações não foram com o trabalho político igual ao que o Bruno vem realizando. Ou é oriundo da televisão, ou é de direita. O Bruno cresceu muito com o trabalho que tem feito e ele agrega, traz os deputados atuais com mais ânimo, porque eles o enxergam como uma grande liderança. E os deputados veem o jeito que ele trabalha. Vejo que ele, estando como vice, ajudaria muito o Daniel Vilela na articulação com os deputados estaduais.
Ton Paulo – Há grandes nomes no páreo: Adriano da Rocha Lima, José Mário Schreiner, Luiz do Carmo… Qual o diferencial do Bruno Peixoto em relação a esses nomes?
A força política dele, o respeito que ele tem no interior, a votação que ele obteve como deputado estadual e as lideranças que ele tem. O Bruno está presente em mais de 200 municípios e tem o apoio de 94 prefeitos. Isso o credencia a ser um excelente vice.
Eu cheguei a conversar com Romário Policarpo sobre essa questão do PL, e ele acredita que o partido pode trazer muitos votos para o Daniel Vilela e que ficaria uma eleição mais leve para ele, com a direita vindo, mas ele me disse também: “Só não é melhor do que o Bruno. Hoje, o Bruno é maior do que a força do PL”. Hoje, o Bruno tem um respeito muito grande por parte dos deputados e essa força eleitoral que ele conseguiu com o trabalho que vem desenvolvendo, desde à época que ele era vereador.
Ton Paulo – E até o próprio Romário Policarpo chegou a ser cotado como vice também…
Sim. Falaram no nome dele, que também seria um excelente vice, pois agregaria muito na eleição do Daniel Vilela junto à Câmara Municipal. Da mesma forma que o Bruno Peixoto tem o respeito, por meio da presidência, dos deputados estaduais, o Romário tem com os vereadores. Ele também fez uma gestão voltada para dar condições para cada vereador ampliar seu trabalho diante da comunidade. Então, o Romário Policarpo também seria um excelente vice.
Só que o Bruno não quer ser vice. Ele fala que não quer. Ele está trabalhando para ser deputado federal. Eu vejo que a única forma de ele aceitar ser vice é se realmente o Ronaldo Caiado e o Daniel Vilela chegarem nele. Porque o Bruno é muito de grupo. Ele respeita muito o Ronaldo Caiado e tem uma relação muito boa com Daniel, mas hoje eu não vejo essa possibilidade de o Bruno aceitar ser vice.
Ton Paulo – O PSDB, partido ao qual seu pai está filiado, o vereador Tião Peixoto, chegou a procurar o PRD para tentar uma articulação e deixar de lado esse status de isolado?
Não. Em nenhum momento nós fomos procurados, até mesmo pela forma como o Bruno Peixoto se apresentou, ao dizer que iria para o PRD e que o partido estava dentro do grupo político dele. Só isso eu vejo que fez minar qualquer possibilidade de composição, uma vez que Bruno é 100% Ronaldo Caiado.
Ton Paulo – E como você enxerga essas movimentações do Marconi Perillo e do PSDB para tentarem voltar ao Palácio das Esmeraldas?
Meus candidatos são Daniel Vilela, Ronaldo Caiado e Gracinha Caiado, mas eu vejo que é um nome que está crescendo e que tem que ser respeitado. Eu sempre falo que nunca podemos deixar de olhar para o nosso adversário. A gente deve prestar atenção nas movimentações. E eu tenho visto, nos lugares em que eu tenho andado, que as pessoas têm falado do nosso adversário. A gente não pode brincar. A transferência de voto é difícil. Ronaldo Caiado tem uma excelente aceitação, mas até que ponto ele pode transferir para Daniel Vilela?
Daniel tem que fazer seu trabalho e vamos estar unidos. Teremos que trabalhar de uma forma para que possamos conseguir realmente uma vitória. Não podemos achar que está tudo ganho. Teremos que andar bastante, levando o nome do Daniel, as propostas, que ele será a continuidade do trabalho que tem sido executado por Ronaldo Caiado. A segurança é um ponto que leva o nome de Caiado nacionalmente, e é esse trabalho que teremos que fazer com Daniel. E, claro, observando sempre que temos grandes adversários, tanto do lado do PSDB, com o Marconi, como também do PL, com o Wilder Morais.
Bruna Ariadne – Você tem vontade de trazer o Tião Peixoto para o PRD?
Temos, sim! Mas meu pai não vai conseguir essa liberação porque, pelo que fiquei sabendo, o Marconi Perillo não queria liberar a Avaa Santiago para ir para o PSB. Se não me engano, foi uma liberação nacional. E o Marconi já falou para meu pai que, dependendo dele, não vai liberá-lo. A gente tem que esperar a abertura da janela partidária, porque qualquer movimentação antes disso ele vai perder o mandato. E a gente precisa que ele continue.
Ton Paulo – Você acredita na possibilidade de o PSDB pedir, então, o mandato da Avaa Santiago?
Pela forma como eles estão falando, eu acredito que sim, mas não sei se dá tempo. Se a Avaa vencer, não vai fazer diferença. Agora, se ela perder, ela pode fazer o seu retorno.
Ton Paulo – No ano passado, tivemos uma situação envolvendo o procurador-geral da Câmara, Kowalsky Ribeiro, em que ele ameaçou o chefe de gabinete de um vereador por conta de uma vaga no estacionamento, caso, inclusive, no qual ele foi condenado. Como você lidou com essa situação que, muitas vezes, pode ser ruim para a imagem da Casa Legislativa?
É ruim, mas a gente não pode esquecer do excelente trabalho que Kowalski faz. Ele possui uma inteligência fora da média. É um excelente advogado e um excelente procurador. E esse episódio foi uma questão isolada. Às vezes, ele estava com os ânimos alterados, pois há dias em que a gente acorda com um estresse maior. A gente tem que entender que foi um fato isolado e vejo que, por causa disso, as pessoas querem puxar outros episódios. Eu vejo que, o que ele faz fora da Câmara, ele tem que responder. A gente não tem que ficar julgando. Agora, o que Romário Policarpo e eu observamos são os trabalhos que ele desenvolve dentro da Câmara, como ele lida com os demais procuradores. Isso é importante para nós.
Ton Paulo – Como diretor da Câmara, qual é a sua avaliação da gestão de Sandro Mabel e do diálogo que ele tem com a Casa atualmente?
Está melhorando. O ano passado foi difícil, como todos os inícios de gestão são difíceis. Os vereadores estavam acostumados com várias indicações do governo Rogério Cruz (Solidariedade) e, ao mudar de gestão, houve uma redução drástica. Então, teve o impacto e o diálogo não estava sendo bom entre os vereadores e ele. Houve uma certa resistência. A forma de administração do Sandro Mabel é mais ríspida, é um jeito dele, mas acredito que este ano vai melhorar. Eu tenho convicção de que ele percebeu que é importante estar com o maior número possível de vereadores compondo a base dele e ouvi-los mais. E eu tenho certeza de que ele fará uma boa gestão.
Ton Paulo – Em entrevistas, Sandro Mabel falou abertamente que a resistência de uma parcela dos vereadores acontecia em decorrência das mudanças que ele implantou, como corte no número de cargos e redução das verbas liberadas aos parlamentares. Você acredita que foi isso que ocasionou esse entrevero entre o Executivo e o Legislativo no ano passado?
Não foi só isso. Não são só cargos. O vereador quer participar da gestão e isso acontece por meio das indicações. A questão foi a forma de liderar e de falar. Ele não estava ouvindo os vereadores. Não estava prestando atenção neles. Ele não pode achar que é errado direcionar emendas a uma Organização Não Governamental (ONG). Os vereadores começaram a direcionar emendas ao terceiro setor, sendo ONG ou associações, porque, no governo anterior, não estavam sendo pagas. Esse foi o motivo. A burocracia era muito grande. Agora, se houver um direcionamento para a prefeitura e ela fizer os pagamentos corretos, as obras necessárias, vai diminuir as indicações para associações.
Houve também a situação de querer jogar a responsabilidade de fiscalização para cima do vereador, o que também não é o certo, já que quem tem que acompanhar o plano de trabalho é a Prefeitura. Atitudes como essas fizeram com que os vereadores começassem a se afastar mais da administração.
Ton Paulo – Mas essa fiscalização também não é uma atribuição do vereador?
Também, mas não é uma responsabilidade do vereador. A responsabilidade do vereador é fiscalizar o Executivo. A prefeitura recebe o plano de trabalho, faz toda a fiscalização e organização da instituição. Só querer jogar essa responsabilidade para o Legislativo não é correto. A obrigação do vereador é fiscalizar a prefeitura, o recurso que foi destinado, mas não é só responsabilidade do vereador.
Bruna Ariadne – Qual a sua avaliação sobre a troca do líder de governo na Câmara Municipal? Isso teve um impacto para melhorar a relação entre os vereadores e o prefeito?
Teve. O Wellington Bessa (DC) é um vereador muito querido. Não é que o Igor Franco (MDB) estava sendo um líder ruim, mas a forma como o Sandro percebeu que o embate estava afastando os vereadores e passou a ouvir mais o Bessa contribuiu muito para melhorar essa relação. Esse diálogo é muito importante. Eu fui líder na época do Iris Rezende, que não dava cargo para ninguém, mas atendia o vereador, ouvia a sua necessidade e visitava aquela base.
Nessa época, a gente tinha uma oposição muito forte, mas, quando tentávamos fazer uma interlocução, havia respeito e conversa com o prefeito. Independentemente de ser base ou oposição, o Iris recebia da mesma forma. E ele entendia a importância de ter a oposição. Às vezes, ela está enxergando o que a base não consegue ver, pois é condicionada a achar que tudo aquilo que é bom. A oposição pode ver uma falha que acaba passando para a gente tentar solucionar. Por isso, é importante ouvir as críticas.
A população reclamou de uma cidade suja, que, por causa das chuvas, estava sofrendo com o mato alto. O Sandro Mabel percebeu o erro e começou a fazer uma limpeza na cidade. Eu vejo que a Comurg não se programou e espero que isso não aconteça nos próximos períodos chuvosos. O prefeito precisa ouvir mais os vereadores e a população para fazer uma gestão mais coesa.
Ton Paulo – Você acha que a base governista deve estar mais unida com o retorno dos trabalhos na Câmara?
Eu espero que sim. Porque teremos projetos muito importantes, como a reestruturação do Imas, que vai ser um tema muito polêmico, e tem que ser feito porque o instituto não se sustenta da forma que está. Eu também acredito que o veto da taxa de lixo será mantido, pois, ao meu entender, é uma questão federal, com determinado embasamento, e ultrapassa a seara municipal.
Ton Paulo – Voltando para a questão política, Caiado está a pleno vapor na sua pré-campanha, sendo o primeiro nome da direita a se colocar na disputa, e o PT trabalha para a reeleição de Lula. Como você tem enxergado a movimentação do Partido dos Trabalhadores em Goiás?
Eles estão tímidos aqui. Eu acho que falta palanque para o Lula no estado e eles estão atrás disso. O PT, em Goiás, perdeu o protagonismo, mas, mesmo com essa queda, eu acredito que a sigla consegue entre 15% e 20% dos votos aqui. Nota-se pelos vereadores que foram eleitos pelo PT e a quantidade de votos que eles tiveram. O partido conta com dois deputados federais: Adriana Accorsi e Rubens Otoni, que são nomes que tiveram uma votação expressiva. Tem um grupo muito forte. Querendo ou não, o PSB é uma coligação que eles têm. A Avaa foi a vereadora mais bem votada e está sendo bem cotada para ser deputada federal. O partido tem grandes nomes e ainda é uma sigla que tem quantidade de votos expressiva.
Ton Paulo – Você acha que há possibilidade de o PT compor com Marconi Perillo?
No primeiro turno, eu acho que não. Mas, caso haja um segundo turno, acredito que sim, da mesma forma que a direita caminha com o MDB.
Ton Paulo – Como você avalia o projeto do governador Ronaldo Caiado à Presidência da República?
É ousado. Se a direita estiver unida e se o Flávio Bolsonaro, hoje pré-candidato, desistir da sua candidatura, eu acredito muito no potencial de Ronaldo Caiado. Ele foi um dos primeiros a serem cotados a disputar o cargo de presidente da República, tem admiração de vários governadores pelo seu trabalho, principalmente na área da Segurança Pública, e também pela seriedade dele. Eu vejo com bons olhos. Goiás nunca teve tanto protagonismo como está tendo agora por meio de Ronaldo Caiado.
João Paulo Alexandre – Alguns integrantes da direita reclamam da falta de diálogo nesse campo e, na política, o diálogo é fundamental. Você acredita que a direita tem se movimentado de maneira sólida para trazer bons resultados?
Hoje, não! Tudo em excesso é ruim. Eu vejo que a direita precisa trabalhar melhor a questão o diálogo. Precisamos mudar essa ideia de que a pessoa ser do PT é ruim ou que ela não presta. Da mesma forma como isso também acontece pela extrema esquerda. O extremismo é prejudicial e a gente tem que parar de dividir o país. Temos que focar na administração. Eu fui eleitor de Jair Bolsonaro, mas seu governo foi focado em questões ideológicas, tentando colocar Lula na cadeia. Anos depois, Lula ganha e vem a mesma perseguição. E, com isso, esquecem-se de administrar o país. Então, essa discussão de “direita não presta” e “esquerda não presta” é ruim para o Brasil e é preocupante a forma como eles estão lidando com a política.
Ton Paulo – O rompimento dessa polarização entre Lula e Bolsonaro não seria com uma terceira via, tendo nomes como Ronaldo Caiado e os possíveis Ratinho Júnior (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos)?
Seria uma ótima saída.
Se pudesse aliar Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado, eu acho que seria excelente.
Eu acho que quem ganharia seriam os brasileiros. Seria uma boa chapa e com potencial para vencer o Luiz Inácio Lula da Silva, que, querendo ou não, tem a sua força e sabemos que não será fácil ganhar. Dessa forma, se se unirem Tarcísio e Caiado, seria o nosso sonho em Goiás.
João Paulo Alexandre – Nas últimas eleições, houve um crescimento no percentual de pessoas que não compareceram às urnas. Em 2024, por exemplo, esse índice ultrapassou os 30%. Esse radicalismo pode ser um dos motivos de as pessoas estarem se afastando de debates sobre política e, consequentemente, de não voltarem a votar?
Com certeza. As pessoas estão cansadas. Não estão ouvindo propostas. As propagandas eleitorais são só um candidato falando mal do outro. Isso é ruim. Sandro Mabel ganhou porque apresentou proposta. O adversário do PL veio em cima de críticas, com um discurso agressivo e, mesmo assim, teve muito voto. Você vê que o partido tem respeito, tem eleitores que acreditam nisso. Eu acho que, se tivesse debatido mais projetos e ideias, o PL é que estaria administrando Goiânia.
A realidade é que as pessoas estão cansadas desse radicalismo, e a prova disso é o número de pessoas que não votaram ou votaram nulo. Essa polarização, essa forma agressiva de lidar com a política, acaba afastando as pessoas das urnas.
Com certeza. As pessoas estão cansadas. Não estão ouvindo propostas. As propagandas eleitorais são só um candidato falando mal do outro. Isso é ruim. Sandro Mabel ganhou porque apresentou proposta. O adversário do PL veio em cima de críticas, com um discurso agressivo e, mesmo assim, teve muito voto. Você vê que o partido tem respeito, tem eleitores que acreditam nisso. Eu acho que, se tivesse debatido mais projetos e ideias, o PL é que estaria administrando Goiânia.
A realidade é que as pessoas estão cansadas desse radicalismo, e a prova disso é o número de pessoas que não votaram ou votaram nulo. Essa polarização, essa forma agressiva de lidar com a política, acaba afastando as pessoas das urnas.
Ton Paulo – Desde que o governador Ronaldo Caiado anunciou sua ida para o PSD, houve receio de que ocorresse uma debandada dentro do União Brasil, já que boa parte dos filiados no partido foi por causa do governador. Você acredita que essa saída de Caiado pode enfraquecer a legenda em Goiás?
Há um certo enfraquecimento, mas ele acaba não sendo tão expressivo porque Gracinha Caiado continuou no partido. E as pessoas gostam muito da primeira-dama e têm uma alta expectativa de que ela saia e vença como senadora, tanto que comentam que só há uma vaga ao Senado porque a outra já é dela. O trabalho que ela fez ao lado de Ronaldo Caiado a credencia. Então, não vejo que vai enfraquecer muito por causa da permanência dela na sigla.
Ton Paulo – Houve um movimento muito grande no interior, com prefeitos, inclusive do PL, indo para a base caiadista. Alguns saíram do partido, outros permaneceram e mantiveram apoio a Daniel Vilela e Ronaldo Caiado. O Bruno Peixoto fez parte dessa articulação para trazer prefeitos para a base governista?
Sim. O Bruno Peixoto sempre procura trazer os prefeitos que estão com ele para a base, além de ser muito leal a Ronaldo Caiado e Daniel Vilela.
Ton Paulo – Há expectativa de que o PRD faça um ato de filiação no começo de março. Quais são os nomes que estão no radar da legenda?
Nós ainda estamos convidando algumas pessoas, mas elas estão esperando a abertura da janela partidária para falarem sobre o assunto, pois há muitas pessoas fazendo composições de chapa e esses nomes não querem falar para onde vão, já que qualquer fala pode levar ao desmanche dessa chapa. O pessoal da nossa executiva já está ligando para os prefeitos, convidando-os para se filiarem junto com o Bruno Peixoto. Nós também convidamos o Lincoln Tejota, que deixou a resposta em aberto. Convidamos o Fião, que é pai do prefeito de Goianésia, Renato de Castro, que também foi convidado. Fião para sair como deputado estadual e o Renato permanecendo na prefeitura.
Ton Paulo – Esse ato vai contar com personalidades nacionais do partido?
Sim. Nós vamos convidar o presidente da nossa federação, Ovasco Resende, e a maior quantidade de pessoas possível, pois, querendo ou não, fazer três deputados federais, tendo uma quantidade de votos, é muito importante para a cláusula de barreira. Hoje, Goiás assume uma importância muito grande nacional para o PRD. Nós queremos eleger três deputados federais e de seis a oito estaduais.
Ton Paulo – Quais nomes podem ser puxadores de voto na chapa do PRD?
Coronel Adailton e Julio Pina são nomes que têm feito um trabalho muito bom e podem ser puxadores. Quem sabe o Romário Policarpo, que também acredito que tenha uma votação importante. O próprio Fião, se ele realmente for concorrer a deputado estadual, é um puxador de votos.
Ton Paulo – Romário Policarpo quebrou recordes ao se manter por quatro mandatos consecutivos como presidente da Câmara Municipal. Como você avalia a gestão dele?
Ele aumentou a popularidade da Câmara. Ele fez com que os vereadores, independentemente do partido em que estão filiados, fossem respeitados. Ele deu melhores condições de trabalho para que os parlamentares pudessem atuar. E cumpriu a sua palavra com os vereadores. Tenho certeza de que, se tivesse outra eleição, eles votariam nele novamente.
Policarpo é um gestor que escuta bastante as demandas. Quem está na Câmara tem liberdade de falar com ele, pois existem gestores que não aceitam receber um não de um diretor ou não dão espaço para os demais falarem. A gente tem liberdade de contrapor e de falar com o Romário Policarpo sobre aquilo que é melhor para a Câmara.
Ton Paulo – E como é a relação de Romário Policarpo com Bruno Peixoto?
Muito boa. Romário Policarpo vai fechar com Bruno Peixoto. E Policarpo já é da nossa família. Ele vai fazer essa parceria. Confirmando a nossa candidatura, vamos ser 100% Wellington Peixoto e Romário Policarpo em Goiânia.
João Paulo Alexandre – O PRD tem buscado fazer com que todas as regiões de Goiás sejam representadas nesse objetivo de eleger de seis a oito deputados estaduais?
Sim, esse é o nosso objetivo. A gente tem convidado pessoal do Entorno do Distrito Federal, Nordeste, Sudoeste e da região de Goiânia. Também estamos convidando muitas mulheres, mas, infelizmente, ainda há uma resistência, mesmo a gente tendo o compromisso de dar todo o suporte. Não sei se é por causa do seio familiar ou se o marido não deixa, o que é absurdo, mas ainda é uma realidade. É muito difícil conseguir mulheres para se candidatarem.
João Paulo Alexandre – E o que tem sido feito para reverter isso?
Estamos apresentando que ela vai ter voz, que vai receber fundo eleitoral e todo o apoio do partido. A sigla é muito séria com isso. Nas eleições para vereador, o valor que Romário Policarpo recebeu foi o mesmo que o último colocado ganhou. O PRD sempre buscou essa isonomia. Não é o fato de o Policarpo ter mandato que ele vai ganhar mais. Isso não acontece dentro do partido. A gente ajuda toda a chapa, e isso tem tornado a sigla diferente. A Dra. Cristina foi convidada e é pré-candidata a deputada federal. Luciula do Recanto e Talitta di Martino também foram convidadas. Por isso, digo que a chapa do PRD está muito boa.
Ton Paulo – Há muita expectativa para que uma das vagas do Senado seja de Gracinha Caiado, mas, caso não haja a composição com o PL para que Gustavo Gayer componha, qual outro nome seria ideal para concorrer junto com ela?
Dr. Zacharias Calil seria um grande nome. Ele quer ser candidato, de preferência pelo União Brasil, mas ele também está procurando outros partidos que possam viabilizar essa candidatura. Ele acredita que já contribuiu com o que poderia como deputado federal e quer avançar. Ele acha que tem condições e capacidade de ajudar o estado de Goiás muito mais, agora, como senador.
Ton Paulo – Ao Jornal Opção, em conversas anteriores, o seu pai, Tião Peixoto, disse que, mesmo estando no PSDB, ele vai apoiar o governador Ronaldo Caiado para presidente e, apesar de que a tendência seja ficar neutro, ele considera apoiar Daniel Vilela ao governo de Goiás. A mesma situação foi reportada por Jeferson Rodrigues, que também está na sigla tucana e declarou apoio a Caiado. O que está havendo dentro do PSDB que os tucanos estão preferindo declarar apoio a Caiado?
Ronaldo Caiado foi um grande gestor. No interior, as pessoas querem a continuidade do projeto de Ronaldo Caiado porque gostam dele. Eu acho que isso aconteceu pelo respeito que ele adquiriu pelo trabalho que desenvolveu. Como você chega na sua base eleitoral, que gosta de Ronaldo Caiado, e vai pedir voto para outro? Não tem jeito.
Meu pai não vai poder declarar apoio para Daniel Vilela por causa da questão partidária, mas ele vai trabalhar naquilo que for possível, nos bastidores, pedindo voto para Daniel Vilela e para Ronaldo Caiado.
Ton Paulo – E qual é o projeto dele para este ano? Ele não irá mais disputar para o Senado?
Ele não vai se candidatar. Bruno e eu conversamos com ele e dissemos que não era o momento. A gente não pode brincar na política. Não podemos candidatar só por candidatar. A gente tem que ter um projeto, um objetivo. Ronaldo Caiado terá as suas duas indicações, e nós temos que ouvir o que a maioria do grupo quer e seguir. E nós precisamos muito do trabalho dele aqui em Goiânia.
Ton Paulo – O PRD teve uma presença, seja direta ou indiretamente, muito forte na gestão do Rogério Cruz. Um ponto disso foi o Grupo de Apoio ao Prefeito (GAP), que o Jorcelino Braga fez parte. O que deu errado na gestão Cruz?
Ninguém ouviu o que o Jorcelino Braga e o Romário Policarpo falavam. Fingiam que escutavam e faziam tudo contrário. Tanto que o Braga decidiu sair, e o Policarpo foi em seguida. Rogério foi vereador comigo, um grande amigo dentro da Câmara Municipal. A gente caminhou juntos na eleição para presidente da Mesa Diretora, e ele abriu mão para me apoiar e, depois, eu abri mão para apoiar o Romário. Eu não sei o que aconteceu para que o Rogério não ouvisse os dois. E, se ele tivesse feito isso, hoje Rogério teria sido prefeito e teria como vice Romário Policarpo. Infelizmente, não ouviu. Policarpo ainda falou para ele abrir mão e compor com Caiado, mas ele ouviu um marqueteiro de fora e decidiu andar. Não teve diálogo com as pessoas que realmente queriam o ajudar. Tinham pessoas que queriam somente o poder, e tinham pessoas como o Braga e o Policarpo que queriam colaborar com a investigação.
João Paulo Alexandre – As pessoas próximas ao Rogério Cruz desenham uma Goiânia que não existia?
Com certeza. Ele ficou escutando pessoas que vendiam uma Goiânia que não era. E, por incrível que pareça, Rogério Cruz fez muita obra na capital: asfalto, Cmei, reformou postos de saúde, só que não tinha a devida divulgação. Onde ele se perdeu: deixou a cidade suja, com asfalto cheio de buracos e escura. Eu acredito que ele deixou na mão de cada secretário e não teve um pulso forte, ao contrário do Sandro Mabel, que tem cobrado resultado do seu secretariado. Eles têm que mostrar o que está sendo feito. Rogério Cruz até teve uma boa intenção, mas, com a desorganização, não teve resultado.
Ton Paulo – Quando começou a circular a informação de que tanto você quanto o Bruno iriam sair para deputado federal, houve críticas de que vocês queriam implementar uma “familiocracia” na política ao lutar por duas vagas no Congresso. Como você rebate essas críticas?
O Bruno tem o seu trabalho e eu tenho o meu. Por mais que eu tenha sido eleito quando ele foi para deputado estadual, eu construí a minha força. Um exemplo disso foi quando fui líder do Iris Rezende. O Bruno, que já estava como deputado, não moveu nenhuma palha. Foi o Iris que viu o trabalho que eu estava fazendo enquanto vereador, a liderança que eu tinha na Câmara, e me convidou. Eu só comuniquei o Bruno e ele me parabenizou. Eu construí o meu trabalho paralelo ao do Bruno. Não é que ele vai me eleger. Eu sei que estou em um partido em que a perspectiva de votos que meu irmão pode receber favorece uma terceira vaga, que é a qual eu vou brigar. Essa dobradinha entre mim e Romário Policarpo é porque acreditamos que vamos ter uma boa votação em Goiás e iremos buscar o interior como complemento. A minha decisão não tem nada a ver com o Bruno, é exclusivamente minha.
O post Welington Peixoto: “Nós vamos brigar para que o PRD, em nível nacional, apoie Ronaldo Caiado para presidente” apareceu primeiro em Jornal Opção.
