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O Carnaval que mostrou duas Goiânias: a que celebra e a que falha

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O Carnaval de 2026 em Goiânia evidenciou, de forma simultânea, o que há de mais promissor e de mais frágil na capital goiana. Em meio à multiplicidade de cores, corpos e territórios, a festa consolidou-se como uma experiência coletiva que reafirma o direito à cidade e, ao mesmo tempo, expôs os limites estruturais e institucionais que ainda impedem sua plena realização, longe de discursos eleitorais.

As celebrações deste ano devem ser lembradas como um mosaico de eventos que marcaram uma nova etapa do Carnaval goianiense. Embora as origens do Carnaval estejam associadas às práticas festivas organizadas ainda no período imperial, a festa, em sua forma contemporânea, tornou-se progressivamente mais democrática, plural e territorializada, deslocando-se dos círculos elitizados para alcançar novos sujeitos e espaços urbanos.

Em Goiânia, esse processo ocorre de forma singular. Ainda distante da projeção nacional de capitais como Salvador ou Belo Horizonte, o Carnaval local construiu sua identidade a partir da ocupação de praças, avenidas e regiões centrais, transformando a paisagem urbana em palco de celebração e afirmação cultural. Mais do que entretenimento, trata-se de um exercício de pertencimento urbano.

Em 2026, eventos como o Bloco das Divas, o Esquenta LGBT+ e o Bloco Socialista simbolizaram a presença ativa de grupos historicamente marginalizados no espaço público. Esses blocos não apenas celebraram a diversidade, mas também reafirmaram o caráter político do Carnaval enquanto instrumento de visibilidade e reconhecimento em uma cidade marcada, em muitos aspectos, por traços conservadores.

Nesse mesmo sentido, o Carnaval do Centro, realizado na Rua 8, representou mais do que uma festa: foi um gesto concreto de reocupação urbana. Ao devolver vitalidade a um espaço historicamente negligenciado pelo poder público, o evento ressignificou a região central como território vivo e pertencente à população.

O pré-carnaval, com a realização da Folia Goiás no dia 7 de fevereiro, promovida pelo Governo de Goiás, também evidenciou a crescente institucionalização da festa. A presença de artistas de grande projeção nacional indicou o reconhecimento do Carnaval como ativo cultural e econômico relevante para a capital.

Entretanto, essa expansão convive com contradições estruturais que revelam os limites da gestão urbana diante de eventos de grande escala. A precariedade da zeladoria urbana se evidenciou no acúmulo de resíduos, especialmente na Avenida 85, onde toneladas de latas e copos descartáveis transformaram o asfalto em um tapete de detritos. Ao todo, mais de 25 toneladas de lixo foram recolhidas após o evento (volume equivalente ao peso de dezenas de carros de passeio) e mostraram não apenas o impacto ambiental, mas também a ausência de planejamento adequado para mitigar seus efeitos.

A acessibilidade também se mostrou insuficiente pela intensa concentração de público que inviabilizou a circulação de pessoas com deficiência motora, revelando a ausência de protocolos eficazes que garantam o direito universal de acesso ao espaço público.

Da mesma forma, a segurança apresentou lacunas com a presença limitada de agentes em meio ao público, que concentrou em pontos isolados e contribuiu para a ocorrência de furtos, incluindo o roubo de dezenas de telefones celulares. Em São Paulo, por exemplo, a presença de agentes no meio das folias — muitas vezes fantasiados — contribuiu para a prisão em flagrantes de criminoso ainda no local do crime.

O Carnaval de Goiânia, portanto, consolidou-se como uma expressão vibrante da vitalidade cultural da cidade, mas também como um diagnóstico de suas fragilidades estruturais. A festa revelou uma capital em processo de transformação, que avança na afirmação de sua identidade cultural, mas ainda carece de planejamento urbano, infraestrutura e gestão compatíveis com a dimensão que o evento vem adquirindo.

Se, por um lado, o Carnaval demonstrou a capacidade da população de ocupar, reinventar e celebrar a cidade, por outro, expôs a necessidade urgente de que o poder público acompanhe essa transformação com políticas públicas à altura. Afinal, uma cidade que celebra sua diversidade nas ruas também precisa garantir que essas mesmas ruas sejam acessíveis, seguras e sustentáveis para todos.

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