Uma das cidades com clima mais quente do país, com temperaturas superando os 40 graus, Corumbá tem um maciço arbóreo urbano incipiente, seja pelas características do solo rochoso ou pela falta de planejamento da gestão pública e de percepção do corumbaense quanto à importância da qualidade ambiental e ao conforto térmico proporcionados pela presença de uma árvore na calçada ou no quintal. A prefeitura quer recompor os espaços vazios de áreas verdes no Centro e nos bairros e contratou recentemente uma empresa por meio de licitação para implantar o plano municipal de arborização urbana. Um dos desafios, no entanto, será convencer grande parte da população a entender a função ecológica e participar de um novo processo de replantio de espécies nativas – e protegê-las. Além da falta de orientação técnica e manutenção, seja do poder público ou de moradores, ocasionando plantio de espécies não adaptáveis ou podas radicais ao longo de décadas, Corumbá enfrenta limitações devido às características geológicas da região. Os solos férteis são rasos e limitam o desenvolvimento radicular da planta, exigindo escolha certa da espécie e técnicas de plantio. Segundo estudos, a baixa capacidade de retenção de água em solos rasos, somada ao clima quente, cria uma deficiência hídrica comum, afetando a sobrevivência de espécies arbóreas. O que se observa na cidade é o crescimento horizontal de raízes, comprometendo o asfalto, calçadas, redes de drenagem e estruturas públicas, com quedas frequentes durante temporais com ventos pouco intensos. Flamboyant é patrimônio - Além de suas características próprias, como o maciço rochoso, a arborização de Corumbá, ao longo dos anos, sofreu invasão de espécies exóticas, as quais, hoje, ornamentam e embelezam o Centro, apesar de suas consequências. E o caso do frondoso flamboyant, que predomina em ruas como Frei Mariano, Dom Aquino e 15 de Novembro, onde, tradicionalmente, é plantado na rua, próximo ao meio-fio. A presença e preservação da mancha de flamboyant tem recomendação técnica do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), desde 2006. Isto é: faz parte do patrimônio histórico da cidade. Mas, nesse mesmo perímetro, existem quarteirões sem uma árvore, como na rua Frei Mariano, entre a 13 de Junho e a Avenida General Rondon, por resistência dos comerciantes. Tornar a Capital do Pantanal mais verdejante é uma meta complexa a ser alcançada, porém necessária não apenas como função estética, mas em benefícios urbanos, clima agradável e eliminação de poluentes atmosféricos. O plano de arborização seguirá as normas do manual lançado em 2020 pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS) e sua base será um diagnóstico da situação atual. Qualidade de vida - Responsável pela sua implementação, a Fundação de Meio Ambiente do Pantanal vai realizar audiências públicas e consultas abertas com a finalidade de envolver a população nas discussões e motivar a participação dos moradores, para que tenham a compreensão do valor de uma árvore como equipamento urbano tão essencial quanto o asfalto, a iluminação pública ou o saneamento básico. “A população tem que entender a importância de ter uma cidade arborizada, sua participação será fundamental”, afirma Cristina Fleming, diretora-presidente da fundação. Segundo ela, moradores ainda veem a presença de uma árvore na calçada como problema, alegando sujeira pela folhagem e conflito com a rede elétrica, preferindo uma ornamental. A falta de cuidados com a planta também é obstáculo. Cristina acrescenta que uma das estratégias será uma atuação forte em educação ambiental, envolvendo também as escolas. “O objetivo é que o plano reflita as necessidades reais da cidade e fortaleça o vínculo da sociedade. Em um município com características climáticas marcantes, como Corumbá, investir em arborização urbana é investir em resiliência climática e qualidade de vida”, afirmou.