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Entenda quem vai governar o Irã assim que o regime dos aiatolás cair … e há uma revolta popular em curso

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Nesta quinta-feira, 5 de março, a Operação Fúria Épica completou seis dias e, conforme planejado pelos Estados Unidos e Israel, o regime iraniano começa a dar sinais de exaustão e colapso, depois que perdeu a Força Aérea e a Marinha, no mesmo dia.

A morte de todas as lideranças políticas, religiosas e militares, nos primeiros dias do conflito, deixou a República Islâmica acéfala e sem rumo. O que explica, em parte, porque o Irã teve que partir pro “tudo ou nada”, sem estratégia, atirando pra todos os lados contra os países do Oriente Médio e da Europa, numa tentativa de colocá-los no caldeirão em que derrete.

O Irã optou por usar a velha tática dos vilões sem caráter, dos covardes emparedados, que preferem morrer atirando antes de desaparecer no esgoto da história.

A operação, que começou em 28 de fevereiro, foi planejada com foco em velocidade, eficácia e surpresa, baseada, principalmente, em ataques aéreos e cibernéticos.

Vigilância da CIA e do Mossad

A vigilância da CIA e do Mossad teve papel fundamental e abriu o caminho para que os dois países aliados pudessem realizar ataques precisos e surpreendentes, como o que causou a morte do ex-líder supremo Ali Khamenei e toda cúpula militar da Guarda Revolucionária, no primeiro dia do conflito.

Agora, a guerra deverá entrar na segunda parte desse plano: deixar que o povo iraniano tome as rédeas do país e destituam, no que restar do regime, o golpe fatal que vai tirar o Irã do cativeiro teocrático onde foi colocado desde que o país foi sequestrado pela Revolução Islâmica, em 1979.

Benjamin Netanyahu e Donald Trump: senhores do Irã | Foto: Reprodução

Curdos: aliados dos Estados Unidos

Mas para que os iranianos possam derrubar os aiatolás é preciso que o governo seja desafiado de dentro pra fora. E esse despertar só vai acontecer quando outras minorias também estejam dispostas a enfrentar o regime e suas forças, de frente, sem medo, com verdadeira intenção de tirar os aiatolás do poder. É aí que entram os curdos: a “quinta coluna” desta guerra.

O governo Trump já deu início às conversas com os grupos de oposição no Irã. Para os Estados Unidos todos que são contra o regime estão com os americanos.

A faísca que vai incendiar o país e dar início à grande revolta popular virá das minorias organizadas que desafiarem a autoridade dos mulás.

Trump falou com os líderes curdos do Irã e do norte do Iraque. Ele ofereceu cobertura aérea às tropas curdas que vão invadir o país e marchar até a capital, Teerã.

Além disso, os Estados Unidos garantiram proteção aos curdos iranianos para que possam tomar posse do território ocupado à oeste do Irã.

Ali Khamenei: sua morte acabou com a era do poder dos aiatolás | Foto: Reprodução

Os curdos, que desde 1979 lutam contra as tropas da Guarda Revolucionária por independência, finalmente terão seu tão sonhado país: o Curdistão.

Hoje, os curdos estão assentados na Turquia, Irã, Iraque, Síria. Eles possuem cidades autônomas, mas devem obediência aos governos locais. E ainda são considerados cidadãos de segunda classe.

Os curdos iraquianos preferem a discrição e evitam disputas com o governo do Iraque. Suas lideranças foram orientadas pelos americanos a não obstruírem o caminho dos grupos curdos iranianos que deverão se organizar a partir do Iraque, além de garantir suporte logístico a essas milícias.

O novo poder no Irã

Menos de 100 horas desde que a primeira bomba foi lançada contra o Irã, dando início à guerra em curso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, num discurso à nação, transmitido do Salão Oval da Casa Branca, que o exército americano destruiu, por completo, a Força Aérea e a Marinha iranianas e que o espaço aéreo do Irã já estava completamente dominado pelos Estados Unidos e por Israel.

Mas a história nos conta que, mesmo quando chegam à lona, as ditaduras se agarram onde podem para tentar sobreviver, até que são expurgadas por outras forças.

Neste momento, a chave que vai garantir o futuro do Irã está nas mãos dos curdos.

Os persas iranianos há muito não sabem o que é oposição e, por isso, desconhecem os caminhos da resistência, porque seus representantes foram mortos, presos ou exilados ao longo dos últimos 47 anos.

A população acredita que as lideranças exiladas ou as que estão no cárcere deverão emergir após a queda do regime para comandar a nação. Os que mais se destacam, para assumir a missão de reconstruir um país inteiro, são o ex-primeiro-ministro que está preso porque ousou questionar decisões do clérigo ou o príncipe Reza Pahlavi — que poderá restaurar a Monarquia e o trono do Xá da Pérsia.

Sem internet, os iranianos não sabem, de fato, como está o conflito. No entanto, a tal revolta popular, que vai derrubar o regime dos aiatolás, já começou e sem os curdos.

Na noite passada, o regime islâmico perdeu sua primeira cidade. Manifestantes tomaram o controle de Abdanam após a polícia baixar as armas e se juntar aos protestos.

O rastro de destruição está por toda cidade, prédios governamentais foram incendiados e funcionários do governo mortos pela população. Há relatos de embates entre manifestantes e forças do regime em várias cidades, até mesmo na capital, Teerã.

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