A expectativa gerada pelo nascimento de um raro filhote de harpia no Pantanal de Mato Grosso do Sul terminou de forma silenciosa e inevitável, como por vezes ocorre na natureza. O filhote, que havia nascido em janeiro deste ano, não resistiu após cair na lateral da estrutura do ninho e não conseguir retornar. A perda foi descoberta esta semana por meio do monitoramento remoto realizado pela Icterus Ecoturismo e pelo projeto Planeta Aves, que acompanham o ninho com o uso de câmera trap instalada em uma área de floresta de propriedade particular, em Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense. Segundo a divulgação feita nas redes sociais das iniciativas, a harpia fêmea permaneceu nas proximidades após a queda do filhote, mas pouco pôde fazer. Diferentemente de alguns mamíferos, aves de rapina não apresentam comportamento de resgate. Ainda conforme o comunicado, é comum que nem todos os filhotes cheguem à fase adulta. Conforme a publicação, mesmo após a perda, o casal de harpias segue frequentando o ninho, sendo observado voando e interagindo na área, o que mantém a possibilidade de uma nova tentativa reprodutiva no futuro. O nascimento do filhote havia sido celebrado por pesquisadores e observadores de aves por representar um registro raro da espécie no Pantanal. Sobre a harpia - Considerada a maior águia das Américas, a harpia é uma das predadoras mais imponentes das florestas tropicais. A ave pode ultrapassar dois metros de envergadura e possui garras que chegam a cerca de 10 centímetros, capazes de capturar presas como macacos-prego. Apesar da força e do porte, a espécie sofre com a perda de habitat e é classificada como “quase ameaçada” de extinção na lista nacional do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). O acompanhamento do ninho tem sido acompanhado pelas redes sociais. As imagens divulgadas pelo Planeta Aves em parceria com a Icterus Ecoturismo mostram momentos do cotidiano das aves. O interesse pelas aves iniciou em 2023, quando uma pena da espécie foi encontrada no Maciço do Urucum. A descoberta levantou a suspeita de que a harpia poderia estar presente na região. No ano seguinte, em 2024, ocorreram os primeiros registros visuais de um casal, o que motivou uma força-tarefa envolvendo a Icterus Ecoturismo, a Sauá Consultoria e o Projeto Harpia. Em julho de 2025, os pesquisadores localizaram o primeiro ninho, embora o casal não permanecesse continuamente no local. Meses depois, em 15 de novembro de 2025, um segundo ninho foi identificado, desta vez com o casal instalado de forma permanente. Em 23 de novembro, a fêmea foi observada em período de incubação, que resultou no nascimento do filhote no início deste ano. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .