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Construtor é acusado de abandonar obras e causar prejuízo de mais de R$ 100 mil

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O sonho de construir um chalé para descanso acabou se transformando em um pesadelo para moradores de Mato Grosso do Sul que afirmam ter sido vítimas de um golpe envolvendo serviços de carpintaria e construção de chalés. Nas redes sociais, o homem se apresenta como construtor e divulga anúncios oferecendo estruturas de madeira, chalés para Airbnb, decks e pergolados, com entrega em todo o estado.  Segundo relatos obtidos pela reportagem do Campo Grande News , o suspeito atraía clientes por meio de publicações na internet, onde mostrava fotos de chalés prontos e oferecia orçamento para construção. Após fechar o acordo, ele solicitava valores antecipados para compra de materiais e início da obra, mas, conforme as vítimas, os trabalhos eram abandonados ou sequer iniciados.  Uma das vítimas, que prefere não se identificar, afirma que perdeu cerca de R$ 14,8 mil após contratar a construção de um chalé em uma chácara na região de Jaraguari. O casal havia decidido investir no espaço por questões de saúde e qualidade de vida. De acordo com ela, o contato começou após o marido encontrar publicações do suposto construtor na internet.  Durante dias, os dois conversaram antes de fechar o contrato. “O sonho era construir um chalé para fugir da rotina de trabalho e descansar na chácara. A gente conversou bastante antes de contratar. Ele foi até o local, roçou o terreno, começou a obra e até levantou os alicerces”, contou.  O contrato foi firmado no dia 14 de janeiro, quando parte do valor foi transferida para compra de materiais. Segundo a vítima, o homem chegou ao local acompanhado do irmão e de outros trabalhadores, todos uniformizados. Após receber o dinheiro, no entanto, a situação começou a mudar. “Depois disso ele começou a desaparecer. Respondia mensagens com muita dificuldade, inventava desculpas e não voltava para terminar o serviço. Hoje não atende mais ligações”, relatou.  A mulher afirma que a frustração tem provocado impacto emocional profundo. “Temos vivido um pesadelo. Sempre que falo disso eu me abalo porque é recente. Meu psicológico está destruído. Eu sinto culpa por ter acreditado. Tenho vergonha de contar para a família e amigos. Só consegui falar com meu terapeuta e psiquiatra.” Ela ainda relata que criou um grupo com outras vítimas que teriam passado por situações semelhantes. Atualmente, o grupo reúne seis pessoas, e a estimativa é de que o prejuízo total ultrapasse R$ 100 mil.  Segundo ela, algumas pessoas chegaram a fazer empréstimos de R$ 20 mil ou R$ 30 mil para contratar o serviço. “Você se sente impotente. A gente trabalhou tanto para juntar esse dinheiro”, disse. O caso foi registrado como estelionato, e o casal também procurou o Procon, onde uma audiência foi marcada para maio. Mesmo assim, segundo a vítima, o suspeito continuaria oferecendo serviços normalmente nas redes sociais. Outra vítima é Viviane da Cunha Pereira Dourado, de 49 anos. Ela afirma que contratou o mesmo profissional em 13 de agosto de 2024, após indicação de uma conhecida da vizinhança. A intenção era construir uma varanda de madeira. “O valor ficou em R$ 7 mil. Ele pediu R$ 4 mil de entrada em dinheiro e o restante seria parcelado no cartão”, contou.  O suposto construtor disse que começaria a obra no dia 18 de agosto, após finalizar outro serviço, e prometeu entregar tudo em 20 dias. Segundo Viviane, ele chegou a levar algumas vigas e iniciou parte da estrutura, mas o trabalho nunca foi concluído. “Ele colocou três vigas e nunca mais apareceu. Passei meses cobrando. Sempre tinha uma história diferente”, disse.  Cansada da situação, ela decidiu procurar a Justiça. “Entrei com processo. Ele não apareceu na audiência. Eu ganhei a causa pela Defensoria, mas ficou só no papel. Até hoje não recebi nenhum centavo.” Viviane também registrou boletim de ocorrência, mas afirma que ainda não conseguiu recuperar o dinheiro.  De acordo com pessoas que participam do grupo criado para reunir vítimas, há relatos semelhantes desde 2022. Segundo os integrantes, o modo de agir seria sempre parecido: divulgação de serviços nas redes sociais, visita ao local da obra, pedido de pagamento antecipado e abandono do serviço.  As vítimas afirmam ainda que já foram registrados diversos boletins de ocorrência relacionados a situações semelhantes. Apesar disso, segundo os relatos, o homem continua oferecendo serviços de construção e carpintaria pela internet.  Orientação - Especialistas orientam que consumidores sempre verifiquem referências, histórico de serviços prestados e evitem pagamentos antecipados elevados antes da execução das obras. Vítimas que tenham passado por situações parecidas também podem procurar órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça para tentar reaver os prejuízos. A reportagem tentou contato com o construtor, mas a ligação não foi atendida. O espaço encontra-se aberto. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.














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